Hiltor Mombach

Os donos do Grêmio

Um amigo meu insiste em afirmar que o Grêmio tem dono, ou donos

Tenho um querido amigo, respeitável ex-dirigente dos tempos do Olímpico, que insiste em afirmar que o Grêmio tem dono, ou donos.
No andar de cima, na sua confortável sala, está um dos donos, Romildo Bolzan.
Mandando no vestiário, contratações e arredores, o outro patrão, Renato.
Faço aqui um breve levantamento puxando pela memória de algumas das últimas gestões do clube.
Flávio Obino consultou os quero-queros do seu bairro para decidir que o Grêmio não trataria com os empresários, fato relevante e que contribuiu decisivamente para a diminuição do tamanho da instituição no futebol. Obviamente não foi isto que quebrou o clube.
Ele herdou um Grêmio quebradinho, quebradinho.
Odone era chamado nas rodas dos mais maledicentes de odono.
Trocadilho infame, mas de alguma forma verdadeiro. Ele só ouvia uma pessoa para comandar o Grêmio, seu amigo Alfredo Oliveira.
Chegou a trabalhar por algum tempo com apenas quatro dos seis integrantes do Conselho de Administração, contrariando o estatuto.
Duda Kroeff fechou-se em sua sala no Olímpico e esqueceu completamente até do G-7, um movimento de sete grupos que o havia colocado no poder.
Restou disto a mágoa de alguns líderes do G-7.
Fábio Koff era personalista. Consultava três pessoas na hora de tomar uma decisão: Koff, Koff e Koff. Faço aqui um pequeno reparo.
Também ouvia seu filho, Fabinho, a eminência parda da gestão, e Omar Selaimen, o oráculo, que dirigiu o futebol por curto tempo.
Para comandar o vestiário convocou seu fiel general Felipão ainda carregando os estilhaços do vexame da guerra contra os alemães.
A quem o Grêmio  recorria quando estava desgovernado? Ao patrão  Claudião.
Entregavam para ele a chave do vestiário. 
Romildo não faz nada diferente?
Faz.
Reúne-se semanalmente com o CA. Ouve e decide por um motivo óbvio: o sistema segue presidencialista.
Renato?
Manda porque tem biografia e só não obedece quem não tem juízo.
Quem bancou Renato?
Adalberto Preis, que não aceitou concorrer.
Poderia ser ele ”o dono do Grêmio”..