Carlos Corrêa / Interino
Nessa quarta-feira, entrevistei os diretores Belisário Franca e Tatiana Sager. Ambos são os realizadores de “Gre-Nal: O Maior Clássico das Américas”, documentário que será exibido hoje à tarde no Festival de Cinema de Gramado. A produção chega aos cinemas do Rio Grande do Sul na segunda quinzena de setembro – depois, no início de outubro, entra em circuito nacional.
Foi interessante ver algo sobre o clássico fora da rotina do noticiário, ainda mais tão perto de dois jogos que prometem ser decisivos na Copa do Brasil. Sou um fã de documentários, o gênero que talvez mais trabalhe pela preservação da memória. Entre os inúmeros tópicos abordados no filme, algo em especial bateu diferente em mim: a lembrança de como eram especiais os clássicos Gre-Nais quando pelo menos um terço dos estádios eram ocupados pela torcida visitante.
Festa era das duas torcidas
Um Gre-Nal lotado era sinônimo de festa das duas torcidas – pelo menos antes de a bola rolar. Se hoje a torcida visitante está restrita a um cantinho, cercada por redes, até o início dos anos 2000, colorados ocupavam uma longa faixa do Olímpico e gremistas o mesmo no caso do Beira-Rio.
Hoje, destinar algo na casa de 10 mil ingressos para os visitantes em um clássico tornou-se impensável. Para além da questão da violência entre torcidas, há outro impeditivo: o número de sócios aumentou muito. E não há como justificar abrir mão de tantos lugares justo com quem paga o clube.
