Hiltor Mombach

Os vários renascimentos de Felipão e Dunga

Sem morrer de morte matada ou morrida, ambos já conheceram vários renascimentos.

A Morte e a Morte de Quincas Berro d'Água é um livro de Jorge Amado. Sugestivo o título da obra. Faz lembrar de dois personagens gaúchos. Falo de Felipão e de Dunga.

Sem morrer de morte matada ou morrida, ambos já conheceram vários renascimentos.

Nesta semana li a seguinte manchete: "Por que Felipão renasceu e pôs Athletico na briga por título?" Lembrei de outra chamada, mais antiga: "Luiz Felipe Scolari completa 66 anos renascido após vexame na seleção".

Seguem retalhos de antigas colunas.

A participação brasileira na Copa de 1990 foi a pior desde 1966, pois a seleção caiu ainda na primeira fase. O Brasil venceu os três jogos da fase de grupo e caiu diante da Argentina. Perdeu quando fez seu melhor jogo, acertando três na trave.

Os pedantes e os parnasianos ofereceram em sacrifício o volante Dunga. Por tabela, imolaram o futebol gaúcho, para eles tosco e defensivo.

As manchetes no centro do país davam conta do “fim da era Dunga”.

Em 94, Parreira cometeu o sacrilégio de chamar outra vez Dunga. E desafiou os parnasianos sacando Raí e colocando Mazinho. Trocou um manequim em campo até então por um volante.

Com Zinho armando, dois atacantes apenas (Romário e Bebeto) e três volantes (Dunga, Mazinho e Mauro Silva) Parreira reabilitou Dunga e, por tabela, um estilo de jogar futebol, o gaúcho.

Os parnasianos não gostaram e meteram pau no tetra. Veio a Copa de 2002. Antes mesmo de desembarcar no Ásia, o gaúcho Felipão levava pau a torto e a direito por relegar Romário. Os amantes do futebol ofensivo continuaram sua ofensiva mas não convenceram Felipão a ser ofensivista.

Ele, que já havia sacado Polga para a entrada de um líbero, Edmílson, tirou Juninho Paulista e colocou Kleberson. Assim como em 94, o Brasil conquistou o penta com três peças ofensivas: Rivaldo, Ronaldinho e Ronaldo. Lembrando que o trio “RRR” mandava um bolão. Deixou saudades!

Certa feita o ex-jogador Paulo César Caju assinou coluna para o Jornal da Tarde com o título "Quantos craques existem no futebol brasileiro?" Trecho: "Em 82, o Zico pegava a bola e tinha Falcão, Sócrates e Cerezo para ajudá-lo." Reserva a última linha para dar o seu diagnóstico: "O que está matando nosso futebol é o culto à escola gaúcha que vem desde o título mundial de 2002."

O parnasiano Armando Nogueira relutava em aceitar a conquista de 1994 porque fora comandada por Dunga. Há um Brasil que culpa os vencedores e referencia a derrota. A Seleção de 1982 encantou, mas a participação do Brasil naquela Copa recebeu o rótulo de a "Tragédia do Sarriá".

Não cometerei o pecado do coitadismo achando que há um descaso pelo RS despencar do mapa do Brasil. A coluna é uma homenagem aos que não desistem nunca, aos persistentes.