Alex Sandro da Rocha Costa é operador de monitoramento do estádio Beira Rio. Ele prestou depoimento ontem no Superior Tribunal de Justiça Desportiva. O Inter defendeu-se da denúncia por não prevenir e reprimir desordens na partida contra o Criciúma. Foi multado em R$ 10 mil. Não perdeu mando de campo. Foi punido pela conduta de um steward, que arremessou um batente de madeira em torcedores.
Vejam o que disse o funcionário do clube no STJD:
“Fazemos busca, identificação e cabeamento jurídico com a administração para ser feita a punição nos envolvidos em tumulto e baderna.
Ao todo são 254 câmeras no estádio. Temos 20 câmeras de longa duração, sendo 16 operando. Feita a ocorrência a gente rebobina fazendo toda a caminhada até chegar a catraca. Pega o horário, faz o registro, puxa a ficha com os dados e encaminha para ao Ministério Público para que fiquem impedidos de irem ao estádio.”
Alex Sandro diz ainda que “no momento que é bloqueada a carteirinha, eles podem conseguir entrar com ingresso e é aí que fazemos a identificação com câmeras e depois retiramos o torcedor do estádio. Há biometria nas principais entradas das organizadas. Todos membros das organizadas têm registro biométrico”.
Foram identificadas 61 pessoas. Ou seja, ou elas deconhecem este incrível aparato tecnológico ou não estavam nem ligando para o fato de serem flagradas. Sempre se disse que meia dúzia de torcedores eram responsáveis pelo vandalismo. São centenas, pois na palavra, pois na palavra do major César Guindane, da Brigada Militar, que atua há 15 anos nos jogos de futebol “infelizmente dizer que todos foram identificados não é possível. Nesse dia trabalhamos com 80 homens”.
Passou da hora de se punir os marginais de outra forma. O paliativo da proibição de entrar no estádio e nada é quase a mesma coisa. Cobrar a conta pelo prejuízo causado como, se a imensa maioria não tem dinheiro? Levar o caso para esfera criminal pouco resolve, pois a maioria dos vândalos têm ficha corrida.
O Inter foi parabenizado por integrantes do no STJD. O auditor José Maria Philomeno elogiou o clube “pelo trabalho realizado e todo o monitoramento eletrônico, biometria, empenho na prevenção e planejamento, trabalho de primeiro mundo.”
Reconheceu o trabalho de prevenção, mas que não foi suficiente para evitar os atos de vandalismo. Eu estava no estádio. Chamei a atenção para o número de policiais e seguranças envolvidos naquilo que parecia uma operação de guerra. Os vândalos enfrentaram tudo e todos.
Para o representante da Procuradoria, Thiago Queiroz “o problema da violência não é dos clubes e nem do futebol e sim da sociedade.” Verdade. Mas quem acha que apenas contar com segurança impede a violência está redondamente errado. O episódio do jogo contra o Criciúma e tantos outros mostra isto. Lembro aqui também a baderna provocada recentemente pela torcida do Vasco e do enfrentamento com a polícia.
