Hiltor Mombach

Os ventos do futebol são mesmo imprevisíveis

Os ventos do futebol são mesmo imprevisíveis. Num mesmo dia podem soprar Norte e Sul.

Até os quero-queros que estavam na Arena quando do recente empate em 1 a 1 contra o Flamengo no primeiro jogo das quartas de final da Copa do Brasil ficaram com a impressão de que o resultado seria irreversível no Maracanã no dia 15.

O Flamengo massacrou o rival gaúcho no segundo tempo, encurralou até arrumar um gol quando faltavam 17 segundos para o apito final.

Três dias depois, pelo Brasileiro, na mesma Arena, os reservas do Grêmio fariam 2 a 0 num Flamengo com apenas quatro mudanças em relação ao time que atropelou o representante gaúcho nos 45min finais.

O resultado, combinado com uma vitória do São Paulo no dia seguinte, tiraria do time carioca a liderança do campeonato. Surgiu como uma espécie de aviso para a turbulência que viria a seguir.

É verdade que o Grêmio não foi bem contra o Estudiantes. Perdeu por 2 a 1 na Argentina realizando um péssimo primeiro tempo. Combinado com o empate pela Copa do Brasil o resultado deflagrou questionamentos de todos os lados. Fui ouvir dirigentes de todos os escalões e ouvi o termo fadiga dos metais.

Pequenas tensões internar acumuladas nestes quase dois anos de Renato no comando começavam a emergir. Foi alguém do altíssimo escalão que tranquilizou o torcedor: “Estamos vivendo a fadiga dos metais, mas nada que não possa ser administrado até o final do ano”.

Na quinta-feira, muito mais do que a fadiga dos metais, estourou a crise no Flamengo: diante de um Maracanã com 45.967 presentes levou 2 a 0 do Cruzeiro no primeiro confronto das oitavas da Libertadores.

As críticas mais pesadas vieram de flamenguistas como o ex-presidente Kleber Leite, que usou seu blogue para lavar roupa suja: “"O nosso ataque é ridículo. O primeiro chute ao gol adversário (o Cruzeiro) foi aos 45 minutos. Os erros de avaliação são flagrantes. Egídio não está no Flamengo por isso (e de graça)… preferiram Renê; Uribe, Marlos Moreno, Ceifador e, por aí vai… Aqui pra nós, será que a mais dispendiosa contratação do Flamengo – Vitinho – terá valido a pena?”

Se por aqui Renato está longe de ser questionado como treinador, no Flamengo o jovem Barbieri, 37 anos, começa a ouvir criticas. Há quem diga que ele queimou etapas. Lembrando que por 72 dias Barbieri atuou como técnico interino. Ele foi efetivado em junho.

Quando de Grêmio 1 x 1 Flamengo escrevi que o time do Rio viveu um segundo tempo excepcional. Agora leio companheiros do centro do país dizendo o mesmo. Aliás, registrei que em termos de Brasileiro o Flamengo era a vaca em cima do poste, duvidada daquela liderança perdida para o São Paulo. Hoje, até o segundo lugar está ameaçado. O Inter encostou, com dois pontos a menos.

Neste domingo o Flamengo entra em campo pelo nacional. Pega o Cruzeiro no Maracanã.