Outro Fim do Mundo. Para os colorados
Rerproduzo coluna do dia 9 deste mês.
Quando soube que Roma fora sitiada, atacada e saqueada por Alarico, rei dos visigodos, que Roma não era inexpugnável, indestrutível, São Jerônimo fez esta pergunta: ’Quid salvum est si Roma perit?’.
Aqui, a sua perplexidade: o que está salvo, se Roma perece?
O relato está no excelente livro ’O Fim do Mundo’, de Otto Friedrich, que repassa a idéia da morte, do fim do mundo, da extinção das raças, abrindo capítulos ainda para a Inquisição, peste negra, Nova Jerusalém, terremoto de Lisboa e Auschwitz.
Friedrich, que nasceu em Boston, morreu em 1995. Estivesse vivo, poderia, e talvez devesse, reeditar ’O Fim do Mundo’ com o capítulo aterrorizante de domingo para os colorados.Sem se esquecer, obviamente, da frase feita por São Jerônimo no ano da graça de 410 d.C. adaptada aos novos tempos: ’Quid salvum est si Inter perit?’.
Vivesse nesta aldeia e Otto Friedrich saberia que o Fim do Mundo se dá ao fim de cada termina o Gre-Nal.
Do Correio do Povo até uma livraria da Rua da Praia o mundo terminou várias vezes nesta segunda-feira.
Para os colorados, obviamente.
Para estes, o Inter ruiu, sucumbiu.
E mais, sucumbiu sobre o que já estava velho.
É ruína sobre ruína.
Assisti a este mesmo Fim do Mundo não vai tempo.
Quando? Quando o Inter perdeu o Gauchão de 2010.
Ali, os colorados vaticinaram o apocalipse.
Que não se confirmou.
Após a vitória contra o Chivas, fora, escrevi o seguinte.
O torcedor tem uma enorme vocação para ser definitivo quando o assunto é futebol.
Os analistas, também.
Pau é pau, pedra é pedra.
Como se em futebol as coisas fossem imutáveis.
Não é uma critica, antes uma observação.
Não vai muito, a zaga Índio e Bolívar deveria se aposentada por velhice.
Lembram?
Índio e Bolívar não só salvaram atrás contra o Chivas como fizeram parceria para marcar gol.
Sandro iria tirar o pé da bola pois estava negociado.
Ontem, fez cacaca ao dar um passe errado, cedeu um contra-ataque que ele mesmo abortou.
Abortou com um carrinho corajoso.
Para muitos colorados, Guiñazu só fazia correr. Melhor outro volante.
Guiñazu vem jogando por quatro, cinco.
Taison? Não havia mais salvação. Estava ali um cavalo paraguaio.O começo da carreira havia enganado a todos.
D’Alessandro? Perguntava-se como o Inter havia despejado tanta grana num gringo cuja maior virtude era cair na provocação do adversário.
D’Alessandro foi aplaudido de pé pelos torcedores...do Chivas.
E, para encerrar, Alecsandro.
Melhor se fosse enviado para o Usbequistão só com passagem de ida.
Ontem, muitos colorados que pensavam assim devem ter ficado preocupado quando ele saiu de campo machucado.
E devem estar torcendo para que retorne logo.
Ah, mais um finalmente: Roth! Nem preciso falar, não é?
E, agora, um último finalmente, o finalmente final: quantos não pediram a saída de Fernando Carvalho do futebol dizendo que seu tempo havia passado?
Isto é futebol.
De reviravoltas.
De viravoltas.
De voltasvira.
É, sempre foi e sempre será.
