Hiltor Mombach

Palpites, achômetros, intuições e desejos

Foto : Divulgação
Sou fundo quando se trata de palpitar. Para minha surpresa estou indo bem no bolão da equipe de esportes. Figuro num honroso quarto lugar entre 30 participantes almejando a liderança. Já me sinto um tudólogo, eu que sempre me considerei um especialista em achômetros. O futebol nos permite este jogo lúdico de dar palpites, misturados com desejos, torcer e secar. Às oitavas, leitores.
ARGENTINA x FRANÇA. A Argentina tem Messi e a França uma seleção, se é que me entendem. Os franceses passaram assoviando pela fase de classificação e os argentinos são sobreviventes duas vezes. Não apenas a dor ensina a gemer: a angústia, o sofrimento de obter uma vaga com as calças na mão, também. Los hermanos entram em campo calejados, precavidos. Vejo aqui uma pequena mas importante vantagem. Dá Messi. “Mi Buenos Aires querido,/ cuando yo te vuelva a ver, no habra más penas ni olvido....”
URUGUAI x PORTUGAL. Os uruguaios levantaram duas taças, em 1930 e 1950. Não têm bala na agulha para levantar o terceiro caneco na Rússia, mas têm para despachar Cristiano Ronaldo se...Se Cristiano Ronaldo não estiver num dia de Cristiano Ronaldo. Meu desejo é ver os uruguaios nas quartas-de-final. Torcerei por eles. Em tempo: Carlos Gardel não nasceu em Tacuarembó. Também não na Argentina. Nasceu na França.
BRASIl x MÉXICO. Acho, quero, desejo e tenho a mais firme convicção de que dá Brasil. Ou pelo menos tento me convencer disto, afastando maus pensamentos. Em homenagem aos mexicanos cantarei “para bailar la bamba /para bailar la bamba/ se necesita una poca de gracia/una poca de gracia por mí, por ti/ay arriba y arriba y arriba y arriba, por ti seré, por ti seré/ por ti seré”. Arriba Brasil! Como bairrista assumido, que vi Felipão dar um caneco em 2002, quero ver Tite retornando hexa. Minha confiança de que vamos passar é tanta que o confronto acontece nesta segunda-feira e eu ainda não estou roendo as unhas de nervoso.
BÉLGICA x JAPÃO. Sou japonês desde criancinha. Meu time de botão era de jogadores japoneses, quase só assisto jogos do campeonato japonês e acho que a frase “é tudo japonês” serve para caracterizar os grandes times e grandes craques do futebol. Vou torcer loucamente para o Japão com a mais firme convicção de que passará a Bélgica. Infelizmente.
CROÁCIA x DINAMARCA. Ainda vou ver a Dinamarca transformada em Dinamáquina. Não nesta Copa, porque esta seleção só teve bala na agulha para estar nas oitavas porque encarou, no grupo, os modestos peruanos e os ingênuos australianos, que ainda estão descobrindo como se joga bola. Dá Croácia. E, se não der, será zebra.
ESPANHA x RÚSSIA. E Espanha encara o time de Putin, que não entra em campo mas fiscaliza. Os vacinados como eu acreditam num outro jogo, de interésses. Mas para que os russos passem pela Espanha será necessário uma operação sem anestesia do assoprador de apito, como aquela aplicada pelo juiz equatoriano Byron Moreno em 2002, garfando escandalosamente a Itália e colocando a Coreia do Sul, uma das anfitriãs, nas quartas de final. Espanha favorita, com este porém.
SUÉCIA x SUÍÇA. Frase do jogador sueco Ludwig Augustinsson vendo a Suécia nas oitavas: “Nós sabemos o que fizemos antes e que, no futebol, nada é impossível se você trabalhar muito, você se esforça ao máximo. A dedicação é extremamente importante no futebol.” A Suécia é isto, esforço. No confronto contra o país lembrado por seus relógios, canivetes, chocolates e, é claro, pelo queijo, cravo...Uni, duni, duni, tê, ô ô ô ô, salamê minguê... Suíça. É puro palpite. Afinal, eles arrancaram um empate contra o Brasil.  .
COLÔMBIA x INGLATERRA. Sou suspeito para falar na Colômbia, pois estou entre os fãs do seu futebol quase sempre ofensivo e irreverente, um tanto descompromissado com o resultado muitas vezes e, acima de tudo, alegre. Meu desejo é que passem os colombianos. Até para que os ingleses vejam o que é bom para tosse, eles que não fizeram lá muita força para ficar em primeiro lugar do grupo, entrando em segundo e escapando do chaveamento com campeões mundiais como o Brasil, por exemplo.