Hiltor Mombach

Para Fortunati

Meu amigo José Fortunati teria se queixado do tratamento que os jornalistas vêm dando à realização da Copa de 2014. "Acho que a imprensa não quer a Copa." Digo ao prefeito que todo bom jornalista deve desconfiar da Copa.

Quando certos políticos e certos dirigentes de futebol se unem e querem muito uma coisa é porque aqui tem coisa. Confio no político Fortunati. Mas desconfio que ele não conhece bem os meandros do futebol. A presidente Dilma, que não deveria se escandalizar com mais nada, ela que em seis meses de governo se notabilizou por enfrentar escândalos e conhece muita gente da turma do mensalão, foge de Ricardo Teixeira como o diabo da cruz.

Fortunati é bem informado. Leu a entrevista que o jornalista escocês Andrew Jennings concedeu ao deputado Romário. Perguntado como o Brasil conquistou o direito de sediar a Copa, lascou: "Blatter, o poderoso chefão da máfia, tem que manter seus sub-chefes ao redor do mundo felizes. Ricardo queria sua própria Copa do Mundo para saquear".

Fortunati deve ter ficado de cabelo em pé ao ler que a prefeitura e o governo do Rio pagaram R$ 30 milhões para a Geo Eventos, leia-se Globo, organizar o sorteio preliminar das eliminatórias da Copa de 2014, numa avant-première do que vem por aí.

Quando falam em legado da Copa para justificar a dinheirama que será derramada, tenho acesso de riso. Para não chorar. Legado para quem, meu irmão? Se todos os políticos fossem como meu querido e competente prefeito e os dirigentes de futebol como meu amigo Koff, a imprensa não estaria tão cabreira. Encerro com um ditado português: "Quem mora na aldeia, conhece os caboclos".