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"Estimado Hiltor, considerando teu recente questionamento acerca da queda da violência nos estádios de Grêmio e Inter, registro que, efetivamente, a partir da aproximação e da constante interlocução dos envolvidos na organização e segurança dos jogos de futebol na Capital, é possível afirmar que o caminho da pacificação nos Estádios está sendo trilhado - com o engajamento da sociedade gaúcha - de maneira absolutamente elogiável.
Outros tantos fatores, logicamente, auxiliam este processo.
O horário dos jogos e a proibição do consumo de bebidas alcoólicas, sem dúvida, são circunstâncias importantes.
Igualmente, o cadastramento e a identificação de torcedores, inclusive dos integrantes das organizadas, são determinantes, porque expressam a efetiva possibilidade, cada dia mais concreta, de responsabilização dos possíveis transgressores.
Nessa linha, nossos clássicos Gre-Nal tem mostrado ao Brasil a importância de preservação do futebol como espaço plural de entretenimento popular, nunca de intolerância ou violência. As sucessivas experiências de sucesso com torcidas mistas, além do espaço reservado aos visitantes, aonde o Clube mandante – independentemente da rivalidade local e do resultado de campo – têm mostrado receptividade e fidalguia com os adversários, deixam nítida a concepção de que o evento futebol deva ser um complemento saudável para a convivência das pessoas, pois as prioridades de uma sociedade de bem passam pela viabilização de trabalho, segurança e saúde para seus cidadãos, independentemente de suas preferências clubísticas.
Sabemos, assim, que o futebol nunca será solução das questões sociais deficitárias, mas pode servir como exemplo de civilidade para um novo caminho de integração da sociedade em torno de seus valores prioritários.