Hiltor Mombach

Paulo Coelho e a Copa

Paulo Coelho é um escritor abaixo do razoável que vende livros como água.
Para se ver que literatura ruim também tem mercado.
Diria que como escritor, é um excelente marqueteiro.
Em 2007, posou orgulhoso ao lado de Lula, Blatter e Ricardo Teixeira, entre outros, e aplaudiu a escolha do Brasil como sede da Copa do Mundo.
Tirou sua casquinha.
Não só posou para as fotos, como divertiu Blatter com esta frase de quem quer ser notado:
“Já vi muita gente ficar discutindo cinco horas sobre futebol, mas nunca vi alguém ficar discutindo cinco horas sobre uma relação sexual.”
Meio esquecido no noticiário nacional, resolveu dar o ar da graça em entrevista para um jornal francês.
Trecho: “Eu estava na delegação oficial quando a Fifa escolheu o Brasil. Estou muito decepcionado com tudo o que aconteceu desde então. Nós poderíamos usar o dinheiro para construir algo diferente de estádios em um país que precisa de tudo: hospitais, escolas, transportes. Ronaldo é um imbecil por dizer que não é o papel da Copa do Mundo para construir esta infraestrutura. Ele deveria fechar a boca”.
Decepcionado?
Então ele não conhecia Teixeira e Blatter?
Tratava-se de gente honesta preocupada com o Brasil?
Pensava que CBF e Fifa queriam a Copa aqui para promover a saúde e a educação?
Quanto a Ronaldo, sua frase na íntegra é esta:
“Está se gastando dinheiro com segurança, saúde, mas sem estádio não se faz Copa.
Não se faz Copa com hospital.
Tenho certeza que o governo está dividindo os investimentos”.
Maldosamente, Paulo Coelho vai na carona de uma frase editada, tira onda de terceiro-mundista, para se mostrar constrangido com o que vê agora, quando até os quero-queros de Garibaldina sabiam o que iria acontecer.
Sete anos depois, Paulo Coelho descobre que entrou de gaiato na delegação!
Atrasado, hein!
Paulo Coelho entrou no ritmo da Copa do Mundo.