Hiltor Mombach

Pedra cantada mais de uma vez aqui mesmo

Jornal > Hiltor Mombach


ANO 116 Nº 305 - PORTO ALEGRE, SEGUNDA-FEIRA, 1 DE AGOSTO DE 2011

Velhos tempos, belos dias










O lhando a tabela do Brasileiro, lembrei de uma crônica de Nelson Rodrigues: "O patético de nossa época é que o passado se insinua no presente e repito: a toda hora e em toda parte a vida injeta o passado no presente". E do que escrevi certa vez: "Todos sabem que sou favorável ao sistema mata-mata e sei que estou na contramão da maioria. Como bairrista convicto, quero ver outra vez um time gaúcho campeão. Quero uma fórmula que imite o Brasil: quanto mais injusta e formulista, melhor! Todos sabem que querer não é poder e que vou ficar querendo".

Três clubes de São Paulo e três do Rio de Janeiro ocupam as seis primeiras posições. Os três oceanos que separavam Inter e Grêmio dos preferidos da Globo no quesito financeiro foram transformados em dez. A dupla vai embolsar R$ 50 milhões por ano da TV; Flamengo e Corinthians, mais do que R$ 100 milhões. E pedem que eu aceite isto que chamam de igualdade!

A chance de vermos Grêmio ou Inter festejando um título Brasileiro novamente é igual a de acertar da Mega-Sena. Ou seja: nenhuma. Olhar a tabela do Brasileiro me enche de nostalgia. Velhos tempos, belos dias aqueles do mata-mata. Encerro com Roberto Carlos: "Hoje os meus domingos são doces recordações/Daquelas tardes de futebol, sonhos e emoções/O que foi felicidade, me mata agora de saudade/Velhos tempos, belos dias".