Uma mentira repetida mil vezes continua sendo uma mentira.
Insistir que o Brasil é o país do futebol é um descaramento.
A verdade hoje, no futebol, é que vinga o complexo de vira-latas no futebol, eternizado por Nelson Rodrigues.
Afundamos no pré-Olímpico masculino e não estamos em Paris.
Uma partida de Liga dos Campeões da Europa é, hoje, um produto mais interessante para o torcedor brasileiro do que o futebol nacional.
Paramos nas quartas de final da Copa América.
É mentira deslavada que temos um Brasileiro da Série A. Aqui atuam os jogadores que a Europa e a Ásia não querem e as bananeiras que já deram cacho.
Jérôme Brouillet, da Agence France-Presse, registou o voo de Gabriel Medina depois de surfar numa onda quase perfeita que rendeu 9.90.
Nesta terça-feira, Rebeca Andrade, Flavia Saraiva, Jade Barbosa, Julia Soares e Lorrane Oliveira conquistam um pódio inédito para o país na ginástica.
É fácil chorar com façanhas como a de Medina e de nossas meninas.
Elas contagiam. Todos retribuem com sorrisos juvenis generosos, escancarados, um contraste brutal com a boçalidade de falsos craques do futebol, displicentes com o torcedor, aéreos com seus potentes fones de ouvido.
Os Medinas e as Rebecas passaram o pires para chegar onde chegaram porque o esporte, no país, jamais foi pauta de governo algum.
Não há nem uma política de esporte.
A verdade verdadeira é que os Medinas e as Rebecas representam o verdadeiro Brasil, o meu Brasil.
Por eles, vale a pena chorar.
Pelo Brasil de Medinas e Rebecas vale chorar
Uma mentira repetida mil vezes continua sendo uma mentira; Insistir que o Brasil é o país do futebol é um descaramento
