Hiltor Mombach

Penúltimo capítulo da Caravana da Miséria, Parte I

O Gauchão deu uma melhorada dentro de campo. E não por conta de Grêmio e Inter, mas dos clubes do Interior. Alguém poderá retrucar que está nivelado por baixo. Não é verdade. Novo Hamburgo e Caxias mostraram um futebol para lá de decente.
O Caxias realizou os dois jogos das semifinais de igual para igual contra o Inter e só foi eliminado nas penalidades. É verdade que encarou um Inter que nesta temporada disputará a Série B e que está sendo remontado.
O Noia, integrante da Série D, eliminou o Grêmio, que disputa a Série A do Brasileiro e que possui a melhor campanha do seu grupo na Libertadores. Mais: em três confrontos entre as duas equipes no regional foram três empates em 1 a 1. O Grêmio não dobrou o representante do Interior mesmo quando atuou na Arena.
Mas se Noia e Caxias fizeram milagre com um orçamento baixíssimo se comparado ao da Dupla, numa competição do mil contra o milhão, tornando o Gauchão atrativo principalmente na sua reta final, não houve o milagre da multiplicação de público nos estádios. Muitos fatores ajudam a explicar a Caravana da Miséria.
Finalista do Gauchão, o Noia está mandando seus jogos no estádio do Vale, com capacidade para pouco mais de cinco mil pagantes. O clube não vem conseguindo liberar suas arquibancadas e tem problemas para levar a segunda partida contra o Inter para Novo Hamburgo porque o regulamento exige uma capacidade mínima de 10 mil pessoas. Até laudo geológico foi exigido.
O clube disponibilizou apenas 4.800 bilhetes para o jogo contra o Grêmio, valendo vaga para a final do Gauchão, e era de se imaginar que faltaria ingresso pela importância do confronto. Foram vendidos 2.150.
Na outra semifinal o Caxias colocou à venda 11.201 ingressos para o jogo contra o Inter. Vendeu 7.347. Não lotou o Centenário num confronto decisivo, quando tinha chances razoáveis de passar.
O São José teve de jogar com portões fechados por não obter documento da Brigada Militar liberando o estádio Passo D’Areia. Mandou seu jogo contra o Inter pela fase de classificação do campeonato.
O novo estádio do Cruzeiro ainda não está pronto e isto obriga o time, que já conta com poucos torcedores, a jogar em outro local. A construção começou em 2011, na avenida Ary Rosa Santos, bairro Granja Esperança, em Cachoeirinha, tinha previsão para ser concluída a tempo de servir de subsede da Copa do Mundo de 2014. Parou, no entanto, em 2015 por falta de recursos.
Três equipes (São José, Cruzeiro e Veranópolis) apresentam média de público pouco acima dos 500 pagantes. Noia, Ypiranga de Erechim e São Paulo de Rio Grande não batem nos dois mil de média. O semifinalista Caxias teve média de 2.610 pagantes. Isto representa apenas 8% da capacidade do seu estádio. Pouco público mesmo com o ingresso médio custando cerca de R$ 30,00.
Como não poderia deixar de ser, o maio público deste regional até aqui ficou com o Gre-Nal da Arena, 43.032 pagantes. Terminou empatado em 2 a 2.