Hiltor Mombach

Pena de Talião

"O pré-contrato de Ronaldinho com o PSG é uma confissão de rompimento com o Grêmio. Lá, na assinatura dolosa, está o insulto, o ultraje: não pode haver glória em gesto tão premeditado, consciente.
Pouco importa que eu pense ou não assim: o torcedor pensa assim. E o torcedor é ainda mais implacável no sua afronta aos ídolos. Nesse caso, um ex-ídolo transformado em atraiçoador. Ronaldinho carrega o rótulo de ter cometido perfídia.
Se (por favor, reparem na conjunção) Ronaldinho for vaiado hoje, se sofrer o escárnio do torcedor, deverá lembrar que no contrato de 25, 30 milhões de dólares com os franceses está embutida tal circunstância. Para o torcedor, Ronaldinho agradeceu o amor recebido cravando ódio no coração de todo gremista passional. Hoje, esse torcedor deverá trair seu ex-amado e não pode haver queixa. A pena de talião teve seu preço.”
Esta coluna foi escrita em 25 de janeiro de 2001. O Grêmio realizava nesta noite o seu primeiro jogo da temporada no estádio Olímpico, buscava recuperação na Copa Sul-Minas diante do Figueirense, mas todas as atenções estavam voltadas para Ronaldinho. Era o primeiro encontro com a torcida após o anúncio de seu pré-contrato com o PSG. Dez anos depois, a coluna segue atual.