Passados os dois jogos de nossa participação no Mundial, em momento de reflexão, algumas coisas desde logo podem ser ditas. Era um campeonato possível de ser vencido, o campeão não é melhor que o Internacional, mas nossa derrota aconteceu por nossos próprios erros.
O Colorado do Rio Grande do Sul é um clube único: 39 vezes campeão estadual, tem 65 anos de liderança em Gre-Nais, nosso maior clássico, dois títulos de Libertadores, uma Sul-Americana, uma Recopa, um Mundial de Clubes, um terceiro lugar no Mundial Interclubes, três títulos brasileiros, uma Copa do Brasil, vários vice-campeonatos brasileiros, uma história centenária de grandes vitórias, mas também de algumas derrotas terríveis.
Em outros tempos em que o revés bateu a nossa porta, humildemente recepcionamos a derrota, reconhecendo nosso demérito e a qualidade de quem venceu. Sempre, como agora, contra o Mazembe. Fomos os primeiros a dizer que não merecemos a vitória, que a nossa incompetência nos impediu de vencer a partida. Em nenhum momento da nossa história, dos grandes revezes, atribuímos a terceiros as causas da nossa derrota, pois somos sempre os responsáveis. Soberba não é uma palavra pronunciada por nós.
Da mesma forma que as vitórias que conquistamos sempre foram consistentes, justas e merecidas, pois em nenhum momento protagonizamos qualquer conquista heroica que viesse a nos vitimizar. Em outras palavras, nunca fomos vítimas da nossa própria vitória. Em todas elas, o presságio antecipado era de que elas aconteceriam, ou no mínimo, poderiam acontecer. Ocorreram ao natural.
E aí eu pergunto aos leitores: existe algum clube no Rio Grande do Sul que somente obtém vitórias heroicas e se vitimiza no triunfo? E mais: existe algum clube no Rio Grande do Sul que quando perde atribui aos outros o seu fracasso? Existe algum clube no Rio Grande do Sul no qual o fracasso sobe à cabeça, a ponto de decantar heroísmo em situações que para todos seria humilhação? Eu não conheço. Não sei se existe.
Finalizo minha participação neste curto espaço em que postei algumas mensagens no blogue do jornalista Hiltor Mombach. Quero agradecer ao Correio do Povo e ao titular da coluna a oportunidade do contato com os leitores, principalmente com os colorados, estando tão longe e passando por tantos momentos de dificuldade, em que muitas vezes o desabafo cometido nesse blogue serviu para amenizar a amargura de uma derrota inesperada.
Igualmente, serviu para exaltar a peça mais notável desse campeonato mundial, sem dúvida: a formidável torcida colorada que encantou esta parte do mundo com sua participação, seu incentivo e sua demonstração de paixão pelo clube nas duas partidas em que compareceu aos estádios, sendo referência na FIFA por tudo o que aconteceu. Obrigado, Hiltor! Obrigado, leitores! Escusas por alguma colocação mal feita e até breve.
