Personalidades do Gre-Nal
No imaginário do torcedor todo grande jogador pertence a um grande time. Viçosa atuava no ASA de Arapiraca. Abaixo do ASA só o Íbis, e abaixo do Íbis, o inferno. Jogador do ASA não possui cartão de visita: escreve seu nome e endereço em papel. Mas, e há sempre um mas em tudo, nada como o futebol para enterrar conceitos e preconceitos, até os mais enraizados. Raros atacantes cometeram ou cometerão tantas façanhas em apertados 90 minutos quanto Viçosa no Gre-Nal dominical.
Deixou a mofar no banco o afamado Borges, oriundo do nababo São Paulo, rendeu a ilustre zaga do Inter duas vezes, em lances idênticos, deixou atônito e atabalhoado o goleiro Renan e, pai do Gre-Nal, afundou a torcida colorada numa mágoa profunda no Dia das Mães. De quebra, o humilde Viçosa garantiu a Renato um epíteto: "Renato roeu a roupa do rei de Roma". Num jogo que se joga com os pés, Viçosa arrasou o rival com a cabeça.
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Renato é um treinador que não comete dois pecados: o da omissão e o da indiferença. Assusta mais pela sua coragem, esta espantosa. Deixou incrédulos os torcedores ao relegar Borges e dar folga para Rafael Marques e, não satisfeito, enfiou Escudero, que até então cabia todinho numa frase feita do Barão de Itararé, aquela que diz que "de onde menos se espera, daí é que não sai nada", no meio, com Viçosa e Leandro na frente.
Após uma arrancada fulminante, que durou 5 minutos, viu seu Grêmio ser dominado pelo Inter, em mais uma dominação estéril, pois renderia apenas um gol, igualado ainda no primeiro tempo e revertido no começo do segundo. O Grêmio de Renato apareceria todo nos 45 minutos finais, um Grêmio ofensivo que, em pelo menos duas oportunidades, fez a zaga colorada parecer humorística. A vítima tentou, em vão, conter o rival impetuoso na botinada.
A primeira batalha para se conhecer quem possuía mais virtudes como treinador terminou empatada em 1 a 1, com definição nas penalidades; a segunda não deu graça.
O lance mais comovente estava reservado para a entrevista coletiva. Num choro convulsivo, Renato lembrou da sua mãe. O domingo, que era para ser de pura alegria, ficou reservado para quem partiu, para Dona Maria, emocionando este colunista, um felizardo por ter a sua Maria, Maria Nilda, entregue a domingo de cânticos e orações com os seus na inesquecível Garibaldi.
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A maior proeza de Falcão nestes sete jogos como treinador do Inter foi tornar o apagão um fato natural. Agora em dois tempos. Se contra o Peñarol o Inter morreu de morte matada e bem morrida num apagão que durou 5 minutos no começo do segundo tempo, ontem começou a morrer no regional da mesma morte num apagão de 7min38s: dos 38 minutos aos 45 minutos do primeiro tempo e nos 38 segundos do segundo. Não há nada de novo no repertório de Falcão, nem nos gestos: o que se vê são três saaras de incoerência que indicam estar ali um treinador tirado da cartola chamada pensamento mágico. Vejam: Ricardo Goulart, sacado do banco contra o Peñarol com o messianismo de quem vai salvar a pátria, não foi lembrado ontem quando das alterações ofensivas.
