Hiltor Mombach

PIFFERO / COM DINHEIRO PRÓPRIO

PIFFERO / COM DINHEIRO PRÓPRIO

Entrevista concedida a este blogueiro e publicada no Caderno de Esportes do Correio do Povo desta segunda-feira.

O senhor defendia a reforma do Beira-Rio com recursos próprios. Ainda defende?

Claro que sim. A Copa do Mundo é uma oportunidade para execução das obras de reforma do estádio, onde já temos garantido por leis a isenção de impostos municipais e estaduais, tornando a obra aproximadamente 15% mais barata. Em seis meses, de julho a dezembro de 2010, obtivemos com a venda dos Eucaliptos R$ 28,12 milhões, e locação por dez anos de 26 suítes/camarotes, R$ 25 milhões, entre dinheiro já recebido e a receber em até 36 meses. Este montante (R$ 53 milhões) equivale a um terço do valor necessário para executar toda a obra. Isto que não efetuamos oferta pública, com propaganda, etc, das 2 mil cadeiras VIPs aprovadas no Conselho Deliberativo, colocadas no mesmo lugar das perpétuas, porém do lado da avenida Padre Cacique.

O senhor confirma que hoje o Inter tem R$ 53 milhões, em recebidos e recebíveis até 36 meses, na conta destinada para as obras e que precisaria de R$ 105 milhões para concluir a obra?

Sim. O orçamento feito pela empresa contratada pelo Inter (Tedesco) comprova isto: o custo da obra é de R$ 158 milhões. Como já temos R$ 53milhões, faltam, R$ 105 milhões. Este orçamento tem 80% dos valores comprovados por propostas de fornecedores. Ainda falta negociar para obter descontos, o que tem acontecido até aqui. Por exemplo: até este momento foram contratados serviços no montante de R$ 25 milhões, conforme orçamento original, só que com as negociações vamos pagar algo em torno de R$ 21 milhões, ou seja, com redução de custo da ordem de R$ 4 milhões.

Quais as vantagens e desvantagens da Tedesco, Andrade Gutierrez e Engevix no caso de ter que recorrer a uma construtora?

Fazer a obra com a Tedesco ou com a Engevix: A obra fica sob controle do Inter, que participa e decide junto com a construtora os fornecedores e condições de pagamento. Após 10 anos, as suítes/camarotes e cadeiras VIP (2.000) podem ser novamente locadas. Outras fontes de receita como área de lojas (6.500 m2), catering (alimentação), placas de publicidade no entorno, e disponibilidade do estádio para eventuais shows permanecem todo o tempo com o Inter.

Fazer a obra com a Andrade Gutierrez: Inter desembolsa R$ 41 milhões. Perde a receita por 20 anos de 5.000 cadeiras VIP, 66 camarotes, 55 skyboxes, toda a receita da área de lojas, a renda do catering, ficando o estádio em disponibilidade para a A.G. promover os shows que puder, placas de publicidade no entorno. A A.G. se responsabiliza pela manutenção das áreas VIPs, sendo que o Inter arca com a manutenção do resto estádio.


Por que só agora se fala sobre a proposta da Engevix?

Iniciamos as conversas com a Engevix no mês de novembro de 2010. Formatamos conjuntamente os itens da proposta referente ao Beira-Rio. No dia 4 de janeiro de 2011, em conversa com o vice-presidente Luís Anápio, salientei que chegaria uma proposta da Engevix, nos termos acima. No dia 31 de janeiro de 2011, de fato, em reunião na minha presença, do diretor da Engevix e do presidente Giovanni Luigi, foi exposta a proposta, marcando-se nova agenda para falar das garantias. Em 11 de fevereiro, foi apresentada a mesma proposta pelo diretor da empresa, agora para os executivos do Inter, na minha presença e do Giovanni. Marcada nova agenda para dia 15 de fevereiro, para enfim falar sobre as garantias. Na segunda-feira, em reunião do Comitê Gestor, ocorreu a decisão de que a direção apresentaria somente a proposta de preço fechado ao Conselho, nos moldes da Andrade Gutierrez, ocasionando a retirada da Engevix do processo.

Confirma que no modelo apresentado e defendido pela atual gestão, a receita para o Inter é zero nos próximos 20 anos?

Sim. A receita sobre todas as áreas envolvidas irão diretamente para a A.G. pela própria estimativa da A.G., estas receitas poderiam chegar a aproximadamente R$ 1 bilhão em 20 anos. Esta estimativa de receitas foi fornecida pela própria A.G., onde as áreas VIPs já estão valorizadas, pois ela as venderia somente após a conclusão do Estádio. Somente para argumentar: fazendo as obras com recursos próprios, neste período de 20 anos poderíamos chegar a faturar este bilhão para o Inter. Se tivermos 50% de sucesso já seriam R$ 500 milhões em 20 anos, o que significaria um aporte anual para o clube de R$ 25 milhões. Em outras palavras, teríamos condições de trazer um "Nilmar" a cada ano.

A proposta atual da A.G. que esta sendo colocada em apreciação no Conselho parte de um retorno para a A.G. de 20 anos calculado em cima de valor de R4 260 milhões (preço da A.G.), sobre parte importante do novo estádio. Ela é pior do que a proposta original, apresentada em outubro de 2010, que previa 18 anos. Se for adotado este modelo de porteira fechada, no mínimo devemos discutir os termos da proposta, de forma a melhorar as condições para o clube, uma vez que o custo efetivo da obra e de 158 milhões de reais.


Pergunta que se impõe. Por que a proposta da AG passa de 18 para 20 anos, apesar do aporte de R$ 40 milhões do Inter para as obras?

Não é pelo estacionamento, que tem sua equação própria; tampouco pelo centro de treinamento, que importa em investimento de no máximo R$ 10 milhões.

Então por que a proposta atual é pior que a apresentada em outubro de 2010?

Estas questões devem ser esclarecidas e discutidas no Conselho, antes da votação, e se for o caso, melhoradas.

Qual a principal questão a ser debatida neste momento?

A principal questão é saber se queremos reformar nosso estádio para sediar os jogos da Copa, ou queremos reformar para a torcida do Inter, aproveitando a oportunidade da Copa. Já temos garantidos por leis os incentivos fiscais estaduais e municipais, em qualquer caso. Isto representa um "desconto" sobre os custos da obra em torno de 15%. Nós temos estádio. Não precisamos começar do zero, e sim melhorar o que temos, aproveitando esta oportunidade.

Do que adianta reformar o estádio, melhorando nosso patrimônio se vamos deixar com uma empreiteira grande parte dos benefícios decorrentes desta melhora? (áreas VIPs.)

Nesta hora, e da maior importância uma discussão calma e serena sobre esta questão. Não pode ser decidido por afogadilho o que será feito com os próximos 20 anos das áreas mais rentáveis do clube.