POBRE OBRIGADO POR ME LEMBRAR QUEM SOU! / A RESPOSTA DE KREBS
Para aqueles que ainda não me conhecem, sou natural de Cruz Alta/RS, 51 anos, casado, pai de 2 filhos. Engenheiro Civil, com especialização nas áreas de Engenharia de Segurança do Trabalho e Gestão da Qualidade para o Meio Ambiente. Perito Judicial e Consultor Técnico nas áreas de segurança e higiene do trabalho e meio ambiente. Profissionalmente, ocupo, hoje, os cargos de Conselheiro do CREA/RS, Presidente da APEJUST – Associação dos Peritos na Justiça do Trabalho da 4ª Região e da FEBRAPAM – Federação Brasileira das Associações de Peritos, Árbitros, Mediadores e Conciliadores.
Sócio do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, desde 1976, e Conselheiro no período 1989-2010. Em 1987, iniciei minha participação como dirigente do Clube, tendo trabalhado, desde então, nas gestões dos Presidentes Paulo Odone de Araújo Ribeiro, Rafael Bandeira dos Santos, Fábio André Koff, Luiz Carlos Silveira Martins, Flávio Obino e Duda Kroeff.
Fui Diretor Jurídico, Diretor de Administração e Diretor de Patrimônio. Em 2003, ano do centenário do Grêmio, exerci os cargos de Diretor de Planejamento Estratégico, Diretor do Quadro Social e Diretor de Futebol, assessorando um departamento comandado pelo vice de futebol, Saul Berdichevski.
De 2004 a 2010, membro da Comissão de Planejamento Estratégico do Conselho Deliberativo, tendo também acumulado as funções de Relator. Em 2009, desempenhei o cargo de Assessor da Presidência. Fui, também, Conselheiro da Grêmio Empreendimentos no desenvolvimento do Projeto Arena na Gestão 2008-2010. Como dirigente, tenho guardado em casa 14 faixas de títulos conquistados: Gauchão, Copa do Brasil, Brasileirão e Libertadores da América, cuja contribuição para alcançá-las, modestissimamente, é verdade, muito pequena, é verdade, muito me envaidece de ter prestado.
Aprendi na vida que um ser humano para ser respeitado tem que ter, antes de mais nada, postura e dignidade. Ser honesto e sincero são obrigações de cidadania. O destaque e reconhecimento público são consequências naturais de um processo de evolução, aprendizagem e coerência. Dentro destes conceitos considero-me uma pessoa feliz, bem resolvida. Tenho uma família maravilhosa, filhos encantadores e profissionalmente reconhecido e realizado. Muitos conhecidos - sou uma pessoa pública - e alguns amigos, conquistados com muito orgulho.
Sou um ser político, democrático, independente e participativo.
O cenário do futebol ensinou-me a ser mais tolerante, mais bombeiro do que incendiário, saber ouvir, administrar críticas e conviver com injustiças.
Entendo a impulsividade de alguns críticos quando atropelam os limites da civilidade e, sem argumentos para sustentar o debate, abandonam a defesa da tese que lhes parece mais correta, se é que possuem, e passam a adotar, muitas das vezes até involuntariamente, pelo impulso incontrolável da ocasião e da incompreensível desforra, a tática da intimidação, do ataque pessoal, da desqualificação, afinal de contas o futebol é movido pela paixão e muitas vezes com um toque sutil de irracionalidade.
Só não posso aceitar as meias verdades, a descontextualização dos fatos.
Ser criticado por buscar a convergência, a unidade, a pacificação do clube? Sem problemas, considero um elogio e não uma crítica. Até mesmo porque não foi um lampejo tão somente de uma cabeça. Tentamos construir este caminho, inicialmente, ao lado de ilustres gremistas como Luiz Carlos Silveira Martins, Raul Regis de Freitas Lima, Milton Munhoz Camargo, Antônio Vicente Martins, Cesar Cidade Dias, José Simões, Jorge Bastos e Hermes Duarte. Não foi possível, devido ao radicalismo, ainda que de uma minoria.
Ser qualificado de oportunista por criticar uma diretoria que assina um contrato com uma empresa em valor superior a R$150 milhões sem querer ouvir a proposta da concorrência? Contratos desta importância, com a grandeza de valores, sem o mínimo de discussão e/ou comunicação prévia dentro do conselho deliberativo? Isto nunca aconteceu. Isto é ser vigilante, não oportunista.
Ser acusado de não ter examinado no passado contratos de igual importância na vida do clube? Completa desinformação. Exemplos: o contrato ISL não contou com a minha aprovação e no contrato com a OAS fui inclusive relator de uma das comissões que, analisando detalhadamente os documentos, contribuiu para que não houvesse a precipitação de assinatura de contrato com uma empresa portuguesa falida e sim com a OAS, depois de profundas discussões e alterações de interesse e ganho institucional.
Ser qualificado de opressor por ter auxiliado a criar em 2003 um cronograma interno no departamento de futebol, com procedimentos e regras definidas, que organizou a estrutura de trabalho de atletas, dirigentes, comissão técnica e imprensa? Ora, se este trabalho foi tão nefasto para o clube, porque até hoje continua sendo executado? Na verdade, houve, inclusive, nestes últimos anos, uma limitação ainda maior em relação ao documento original. A verdade é que as relações se organizaram e os profissionais entenderam com o tempo a importância da iniciativa.
Por falar em 2003, guardo na lembrança a honra de ter comandado ao lado do Saul a reação de um time que chegou a estar 10 pontos atrás do penúltimo colocado no campeonato brasileiro. Com muita luta, esforço, raça e trabalho, mantivemos o Grêmio na 1ª divisão, o que no ano seguinte, sob outro comando, não foi possível a sobrevivência.
Ser qualificado de pobre e infeliz? Magoado? Secador? Quanta bobagem! Pobreza de valores, isto sim. Puro ranço político e patrulhamento ideológico. Pessoas que não sabem viver em sociedade, onde o respeito mútuo engrandece e dignifica. Movidas pelo ódio, pela raiva, pela inveja. Pessoas sem limites. Uma pena.
Um querido amigo disse-me ontem: "Evandro, não te preocupas com a crítica de quem vem, preocupante seria o elogio".
Não, meus amigos, não é desta forma que se constrói uma instituição da grandeza do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. Precisamos evoluir.
Sou orgulhosamente gremista, um dos sete milhões de imortais tricolores, eternamente grato a este clube pelo reconhecimento público alcançado e por tantas alegrias compartilhadas, em que pese algumas pequenas, tristes e desnecessárias passagens, mas que, a rigor, mais se prestam para engrandecer e valorizar a felicidade do êxito e revelar talvez a inveja de quem tem muito ainda que construir pelo clube para obter um curriculum razoável do amor que ao Grêmio devemos emprestar.
Evandro Krebs.
Sócio do Grêmio.
