Hiltor Mombach

PODEMOS DESCARTAR A COPA E A FIFA? SIEGMANN RESPONDE A ESTA E MAIS 35 QUESTÕES

PODEMOS DESCARTAR A COPA E A FIFA? SIEGMANN RESPONDE A ESTA E MAIS 35 QUESTÕES

Roberto Siegmann no seu blogue   robertosiegmanncolorado.blogspot.com/

Volto ao assunto, especialmente diante das inúmeras informações distorcidas que andam circulando por aí.
Assumi o compromisso de ter uma postura transparente com o nosso torcedor e, em razão disso, vou tentar esclarecer as dúvidas mais ocorrentes em forma de perguntas e respostas.
Minha preocupação maior é com o futebol, mas como Conselheiro do Clube sei o quanto as obras poderão interferir no futuro da nossa atividade principal.

1. HÁ RACHA NA DIREÇÃO DO INTER?

Não.
Estamos unidos no que se refere as obras e tudo mais.
A divisão existente é exatamente a mesma anterior as eleições.
De um lado os que perderam a eleição e, do outro, os que venceram.
A atual diretoria, entende que o modelo adotado pela gestão anterior fracassou. Aliás, como referido pela FIFA desde julho do ano passado.

2. OS ENGENHEIROS SABEM MAIS DE OBRAS?

Na gestão anterior as obras era assunto exclusivo do Vitório Piffero, do Emídio e do Pedro Afatato, todos engenheiros.
O Emídio tem uma empresa de pavimentação asfáltica , o Afatato uma de sinalização de rodovias e o Vitório é empresário, sócio de uma construtora.
A discussão atual não diz respeito ao projeto de engenharia, mas a sua viabilização financeira .
O fracasso do projeto é de sustentação financeira e não de engenharia.
Quanto ao estudo financeiro das obras, o Giovanni está muito bem assessorado, inclusive pelo mesmo assessor que alertou o Vitório dos riscos no semestre passado.

3.DESDE QUANDO A FIFA REJEITOU O PROJETO DE VIABILIDADE FINANCEIRA DAS OBRAS?

Desde julho passado, exigindo do Clube garantias efetivas, pois entendeu que a mera venda de produtos (suítes e cadeiras), com ingresso de receita a longo prazo, não viabilizaria a realização das mesmas, tanto que pediu outras garantias financeiras.

4. POR QUÊ , APESAR DISSO, AS OBRAS FORAM TOCADAS E O BEIRA-RIO DEMOLIDO EM PARTE?

As obras foram tocadas com maior intensidade no período que antecedeu a eleição.
Por outro lado, o principal argumento do candidato derrotado era a reforma do Beira-Rio.
Salienta-se que naquela oportunidade o projeto de financiamento próprio já estava rejeitado pela FIFA.
Em dezembro passado, deixando de atender pedido da atual direção, houve a demolição de parte das arquibancadas e a assinatura de contrato com empresa para construir o novo padrão das arquibancadas inferiores.

5. HÁ INTERESSE POLÍTICO NO DEBATE SOBRE AS OBRAS?

Entendo que sim, pois se continuarmos com o atual modelo perderemos a Copa ( o que já foi alertado pela FIFA), teremos que desembolsar valores para recompor o Beira-Rio com grande ônus para a gestão do Giovanni .
Ficaria a idéia de que o Afatato queria as obras e fez de tudo para realizá-las e a atual gestão não.
Não podemos esquecer que com a atual situação financeira do INTER, severamente deficitária, não dispomos de um centavo para financiar as obras eis que a venda de produtos como suítes e cadeiras é insignificante.

6. QUAL O PAPEL DO AOD CUNHA?

O Aod é um técnico, especialista em finanças, é Colorado e foi Secretario da Fazenda do Rio Grande do Sul.
Ele foi contratado como forma de profissionalizar a gestão e faz isso muito bem.
Ele apenas analisa e apresenta os números, sem nenhum juízo de valor.

7. QUAL O PAPEL DO CONSELHO DELIBERATIVO?

O Conselho vai decidir, é dele a responsabilidade acerca dos próximos passos.
Ele conhece a situação financeira do Clube (exposição feita pela atual diretoria), bem como os riscos de cada um dos modelos.
No ano passado a Comissão de Obras do Conselho alertou sobre a fragilidade do modelo (ausência de estudos mercadológicos), o que não foi revelado aos Conselheiros por decisão exclusiva do presidente do Conselho.
O presidente do Clube não poderia ficar silente diante de riscos que podem comprometer o futuro do Clube por gerações.
Ao contrário daqueles que comandavam as obras na gestão anterior, levou o assunto ao Conselho Deliberativo.

8. PODEMOS DESCARTAR A COPA E A FIFA?

Podemos e tenho escutado algumas manifestações nesse sentido.
O prejuízo seria a perda de uma oportunidade para a reforma do estádio e que é necessária.
O modelo financeiro é que não pode comprometer o presente nem o futuro do nosso Internacional.
Caso venhamos a perder a Copa, há o risco de ser credenciado outro estádio de Porto Alegre.
Quem lutou pela Copa no Beira-Rio foram os gestores anteriores.
Não podemos esquecer que ela foi festejada com manifestações públicas, como a realizada no Parque da Redenção.
Outros clubes aproveitarão a oportunidade para reforma de seus estádios.

9. QUAL A VANTAGEM DE REFORMAR O BEIRA-RIO?

Mais conforto para os sócios e torcedores, aumento de sua capacidade, modernização de suas instalações inclusive para o futebol.
Um estádio moderno, construído até a Copa, permitirá maiores receitas com ações de marketing.

10. QUAL O MODELO ADOTADO PELA GESTÃO VITÓRIO PARA AS OBRAS?

Com recursos próprios (recursos vindos da venda do Estádio dos Eucaliptos e antecipações de receitas pela venda de suítes e cadeiras).
O Conselho Deliberativo aprovou, tão-somente, a antecipação de receitas com a venda de suítes e cadeiras e a venda dos Eucaliptos.
Como só vendemos 26 suítes (sendo onze pela transferência de negócios antes existentes), temos a seguinte equação: aproximadamente 28 milhões de reais (dos quais restam treze), pelo resultado da venda dos Eucaliptos e o ingresso em prazo longo da venda das 26 suítes para fazer frente a uma obra de mais de 200 milhões de reais.

11. HÁ COMO O CLUBE FINANCIAR AS OBRAS?

Não.
Uma das causas de não obtermos garantias bancárias é a situação financeira do Clube.
Não há como enfrentar as despesas mensais ordinárias e retirar dinheiro que não temos no caixa para pagar as obras da reforma do Beira-Rio.

12. POR QUÊ O INTER VENDE JOGADORES?

Para que ingresse dinheiro em seu caixa e com isso equilibrar as suas contas.
A necessidade de ingresso de valores é em razão do defícit (diferença entre gastos e valores recebidos).
São pagas despesas de pessoal, manutenção predial, juros bancários de empréstimos (só no último semestre da gestão anterior R$18.000.000,00), viagens da equipe, etc.
A mensalidade dos sócios representa aproximadamente 30% da receita.
Ela é muito importante mas está longe de garantir a totalidade das despesas mensais.

13. QUAIS AS OUTRAS RECEITAS IMPORTANTES?

Televisionamento de jogos e patrocínios.

14. O QUE FOI DITO PELA FIFA AO INTER?
Que diante da fragilidade do modelo financeiro das obras, entendendo que havia risco de não serem levadas até o final em tempo hábil, pediu garantias bancárias ou parceiria com empresa construtora.

15. O INTER BUSCOU AS GARANTIAS BANCÁRIAS?

Sim.
O Vitório solicitou garantia para vários bancos e nenhum concedeu.
Inclua-se aí, Banrisul e BNDES.