Prossegue a polêmica: entregar ou não entregar? Ontem, jornalistas
italianos se dividiam entre os que consideram a marmelada a antítese da
filosofia do Barão de Coubertin ("o importante não é vencer, mas
competir. E com dignidade") e aqueles que achavam uma burrice não
entregar para facilitar a vida depois.
Suspeita-se aqui que o basquete da Espanha entregou para o Brasil, tivemos um escândalo no
badminton e o handebol feminino do Brasil se queixa de que a Noruega
entregou o jogo contra a Espanha para poder encarar o...Brasil. As
norueguesas encararam e ganharam.
Quando o chaveamento aponta que o primeiro de uma chave enfrentará o quarto da outra, o segundo encara o terceiro e assim por diante está permitindo que se faça escolhas. Não
sugere a marmelada, mas dá chance para que se escolha. Sorteasse o rivais e seria diferente.
Já escrevi, mas repito: já tivemos marmelada em Copa do Mundo. De todos os tipos, com jogo de compadres e suspeita de entrega.
No Brasil temos as malas preta e banca. Mala preta é o incentivo que se dá
em dinheiro para uma equipe perder; mala branca é a grana que se paga
para uma equipe ganhar (ou empatar, se for o caso) e, se não é crime,
tem muito a ver com a ética.
Cabe aos organizadores das competições criar mecanismos para evitar ou reduzir as chances de
manipulação. Algumas fórmulas são simples, com a de realizar os
clássicos regionais ao final de cada turno do Brasileirão e a mudança no
vôlei, que marca sorteio para apurar os duelos entre os segundos e terceiros colocados.
