Hiltor Mombach

Porque alguns são diferentes!

Nosso terceiro filho nasceu muito prematuramente no dia 01 de Julho de 2007, Samuel já encontrou o nosso Inter alçado as maiores glórias que um clube brasileiro pode alcançar. Para nossa inicial tristeza, a prematuridade e o seu sofrimento para nascer causaram-lhe uma paralisia cerebral, seqüelas que lhe trouxeram características especiais que o tornam diferente entre os iguais.
Passados quase sete anos de seu nascimento, ele ainda não caminha, não fala e seu comprometimento motor, torna os irmãos, o pai e principalmente a mãe, suas ferramentas para tudo.
Os primeiros meses de vida do Samuel foram muito difíceis, tanto para ele quanto para todos nós, pois tivemos que reaprender tudo aquilo que sabíamos a respeito de como criar e educar um filho. Porém para nossa surpresa, o futebol o acalma e o DVD da conquista da Libertadores de 2006 pelo Inter, o deixa em estado de estase, tanto, que quando o mesmo termina o choro é inevitável. 

Foi desta forma que nosso filho que é especial, se tornou “Colorado” e aprendeu a gostar do Fernandão. Passados mais de sete anos, este DVD já rodou com certeza algumas centenas de vezes, e, em todas elas até hoje, o Samuel se emociona vendo o Capitão correndo de braços abertos, após o seu gol na final contra o São Paulo.

Quando realizamos as nossas atividades com amor e desvelo, quando executamos as tarefas impostas pela nossa profissão com seriedade e respeito, e, mais ainda, quando amamos aquilo que fazemos, e, conhecemos a fundo, a responsabilidade que carregamos por estarmos servindo aos outros, então nos tornamos pessoas diferentes, saímos da mesmice sócio-cultural, para construirmos algo maior, duradouro, perene e recíproco, quer seja com aqueles que nos são caros e vestem a mesma cor, quer seja com aqueles que por imposição do destino, estão do outro lado e vestem cores diferentes da nossa.

Esse é o nosso Capitão, o homem, o esposo, o pai, o profissional, o amigo, o ídolo, o exemplo, e, agora em um patamar ainda mais alto, o “mito e a lenda colorada”. Fernandão comandou uma legião de colorados, sem termos a verdadeira noção de que ele nos conduzia. Como diz o provérbio, a colheita é inevitável, por isso é que devemos ter muito cuidado com aquilo que vamos semear.

Talvez nem mesmo o Capitão soubesse o tamanho daquilo que ele tenha semeado, mas a sua colheita será eternamente profícua.              Por quatro bons anos o Capitão com os seus comandados entrou em nossas casas para nos proporcionar muitas alegrias, e, também por muitas vezes nos convocou ao Gigante, para um final de semana de confraternização vermelha.

Em nosso mundo colorado, o mundo dos normais, outros capitães virão, mas no “mundo do Samuel” sempre existirá somente um Capitão e ele sempre atenderá pelo nome de “FERNANDÃO”!
Sai o homem entra o Mito!
Quem viveu estes dias sabe do que estamos falando! “OBRIGADO CAPITÃO”!
Você foi diferente!
Foi preciso te ver partir, para realmente entender isso!
O Samuel já sabia, pois ele também é diferente!



Samuel com sua bandeira do Inter e sua inseparável cadeira de rodas.