Hiltor Mombach

Quando o corpo grita. Síndrome do pânico

Prepare-se para conheceu um outro mundo, um mundo onde você pode ser o robô de você mesmo, manipulado até o extremo. Um mundo novo, de palavras desconhecidas até então, de revoluções, onde o gigante homem sucumbe diante de um exército de invisíveis neurônios.
Um mundo novo que mistura ficção e realidade, onde ninguém sabe separar o começo do meio e muito menos do fim porque começo, meio e fim se entrelaçam de forma decisiva, um entrelaçamento impossível de desamarrar, separar em peças, avaliar cada parte separadamente.
Um mundo onde você tem que juntar peças, buscar memórias infantis e juvenis, resgatar seus medos de adulto, confrontar tudo e, de quebra, associar tudo com pai e mãe.
Um mundo onde você terá a mais absoluta convicção de que você não é você mesmo, mas um produto de vivências marcadas por lições paternas e maternas.
Um mundo de termos como Serotonina, cascalho, neurônios, disfunções mas, antes de tudo, de medo, do medo mais medonho. Prepare-se para viajar por este mundo através da alma de quem conhece este mundo como poucos. Só a alma pode registrar fatos como irei registrar, porque só a alma capta o invisível.
Quando me atrevi a escrever sobre este novo mundo, pois trata-se de um atrevimento, uma afronta ao que o ser humano tem de mais íntimo, seu cérebro, ali onde desfilam pensamentos impublicáveis e jamais ditos, fui desencorajado por muitos e incentivados por outros tantos.
Compreendi aqueles que me desencorajavam e dei ouvidos. Pensei várias vezes em não prosseguir, não mais escrever este livro. Porém, pesou mais do que tudo o fato de que todas as pessoas que me desencorajavam não tinham a mínima ideia do que eu estava falando. Elas se importavam, sim, com o meu sofrimento, mas não compreendiam sua dimensão. Ora, eu não iria escrever para elas. Não era este o meu objetivo. O meu objetivo era contribuir de alguma forma com a divulgação de uma doença que parece atingir cada vez mais pessoas.
Consultei minha esposa, Judith, e meus três filhos, Carlos Dario, Matheus e Lucas. Mesmo com 10 anos, foi dado a Lucas o direito de opinar. Não preciso dizer que todos concordaram, porque o livro está aqui. Mas foi a forma como eles concordaram que me incentivou a colocar a mão a tecla e levar o livro adiante.
Este é um trecho do livro “Quando o corpo grita – síndrome do pânico”, que será lançado no dia 7 de novembro, uma terça-feira, às 18h, no Chalé da Praça XV, centro de Porto Alegre, e no dia 13, uma segunda-feira, às 17h30min, na Feira do Livro.
No livro relato, na primeira pessoa, meu convívio de quase 30 anos com a doença. O livro tem a participação dos psiquiatras José Facundo Oliveira e Gildo Katz, com uma visão de Freud sobre a doença, e desenhos do filho Lucas Martins Costa Mombach.
Facundo e Katz relatam que “Freud sofria de angústias enormes e tentou dar soluções cognitivas para aliviar suas tensões vitais. Isso serviu de inspiração para que criasse a psicanálise...A neurose de angústia também era uma patologia que não se explicava, não existiam memórias reprimidas e não era passível de análise porque não se estabelecia uma transferência com um terapeuta.
Era um sofrimento sem nome, sem memória e sem razão aparente. Era como se uma pulsão de morte repentinamente tomasse conta do corpo do indivíduo que, embora não quisesse morrer ou cometer suicídio, só desejava por fim em seu sofrimento, imaginando a morte como inevitável...”