Hiltor Mombach

Que dor, que tristeza!

O Brasil está fora da Copa do Mundo. O hexa não passou de um sonho

Após empate de 1 a 1, Brasil perdeu nos pênaltis por 4 a 2
Após empate de 1 a 1, Brasil perdeu nos pênaltis por 4 a 2 Foto : NELSON ALMEIDA / AFP

O Brasil está fora da Copa do Mundo. O hexa não passou de um sonho. Caiu diante de uma Seleção da segunda prateleira, a Croácia. Da forma mais dramática possível nos pênaltis. Escrevo com a alma lavada e enxaguada de dor. Sem a Canarinho, passo a torcer por uma zebra, Marrocos, que neste sábado encara Portugal.

Toda eliminação é traumática e carrega perguntas e questões que serão repetidas por décadas.
Neymar não cobrou nenhuma penalidade. Ele deveria abrir a lista dos cobradores. Estava confiante pois havia marcado um golaço nos acréscimos do tempo normal. Pois o jogador mais técnico do Brasil não cobrou pênalti. O jogador que anotou um golaço não cobrou pênalti. 
E o  gol deles? Meus amigos, a prorrogação estava no final. Faltavam dois ou três minutos. Como permitir um contra-ataque? Lembrei de um Gre-Nal. Vai tempo, muito tempo. O Grêmio largou na frente, tinha a vaga assegurada por um bom tempo, e permitiu a reação do Inter. Lembrei de uma frase cometida por Paulo Odone, presidente gremista na época. Irritado com a derrota, afirmou que seu time deveria não deveria ter permitido que houvesse mais jogo. Ou seja, deveria ter picotado a partida com faltas, feito cera, provocado o rival. O Brasil não. Faltando três minutos buscou o segundo gol. A vaga estava na mão. O Brasil entregou a rapadura meus amigos, Que tristeza! Que amargura! Que dor lancinante!

Minha coluna de ontem foi quase uma premonição. Cravei em mim mesmo o rótulo de medroso. Lembrei da Copa de 90, daquela eliminação diante da Argentina, quando jogamos muito mais. Também falei de que considerava esta seleção ofensiva demais para o meu gosto.
Os croatas foram um pouco melhores no primeiro tempo. O Brasil dominou o segundo e  mandou na prorrogação. Os croatas não deram trabalho para Alisson. Num contra-ataque...E, depois, nos dobraram nas penalidades. 

Fim de uma era, da era Tite. Bom treinador o gaúcho Tite. Como gaúcho, conhecedor das artimanhas do futebol, deveria ter mandado  a Seleção gastar o tempo nos minutos finais. Não sei quem entra no seu lugar. Mais um gaúcho, Mano Menezes? Como Felipão, Dunga e o próprio Tite? Com Felipão levamos a taça em 2002. Depois, é uma coleção de tropeços, um deles vexatório, aqueles 7 a 1 na Copa realizada no Brasil.

Gosto de futebol, mas Copa sem o Brasil não tem graça. É como um Brasileiro sem Inter e Grêmio. A Seleção me torna ufanista  nos Mundiais. Inter e Grêmio, bairrista nos Brasileiros.
Que tristeza! O corpo ainda esta dolorido tamanha a tensão. Mas, e há sempre um mas em tudo, o futebol tem a magia de acabar não acabando. A dor irá diminuindo aos poucos e, quando eu acordar deste pesadelo, já estarei sonhando com o próximo Mundial. Até 2026!