Hiltor Mombach

Quem muito culpa esquece de fazer o mea-culpa

O brasileiro cabe nos livros de Agatha Christie: está sempre procurando um culpado.
E quando o assunto é futebol, a procura de um culpado vira obsessão.
Pergunto ao amigo leitor: escolheu seu culpado pelo monumental fiasco do Brasil na Copa?
Os vergonhosos 7 a 1 martelam minha cabeça.
Vamos do Brasil de Felipão para um outro Brasil, o de Pelotas.
Há um artigo no site do clube que não deixa dúvida: a derrota para o Inter deve ser debitada na conta do árbitro Francisco Neto.
Caíram na esparrela, no rótulo maldoso de “Chico colorado”.
Não sei o time de preferência de Francisco Neto.
Como não sei e não me importa saber o de Renato Marsiglia, Daronco, Carlos Simon...
Para ser árbitro de futebol é preciso gostar de futebol.
A paixão pelo futebol começa quando se torce por um time.
Trata-se de uma obviedade.
Jornais, rádios e televisões não admitem como setoristas repórteres avessos a futebol.
Nem repórteres avessos a futebol querem trabalhar no futebol.
Trata-se de outra obviedade.
Tite já treinou Inter e Grêmio.
Mano já trabalhou na base do Inter e treinou o Grêmio.
Outros técnicos já comandaram as duas equipes.
Giuliano foi o amuleto do Inter na Libertadores de 2010 e hoje brilha no Grêmio; Réver já atuou pelo Grêmio e hoje ajuda o Inter a buscar o tri da Libertadores.
Há outros exemplos.
Quem muito culpa esquece de fazer o mea-culpa.
O Brasil perdeu duas consecutivas. Já não está mais entre os quatro primeiros.