A presidente Dilma Rousseff terá uma reunião com Joseph Blatter, dirigente máximo da Fifa, nesta segunda-feira. Vai tratar de assuntos relativos à Lei Geral da Copa e outros temas relacionados ao Mundial de 2014. A Lei Geral da Copa tem alguns pontos polêmicos, como a venda de bebidas alcoólicas em estádios e a meia entrada para estudantes e idosos. Para escrever sobre a meia entrada para idosos convidei Igor Menini da Silva, defensor público do Rio Grande do Sul.
“Sentado em um banco mocho, ouvindo meu pai contar os “causos” do seu tempo de delegado, à beira de um fogo de chão em Rosário do Sul, guardei para sempre a expressão que a maturidade traz clarividência e sabedoria como uma generosa compensação da natureza.
Realmente, a clarividência, dádiva divina dos mais experientes, surgiu na dúvida do senhor Antônio Carlos Rocha, de Bagé, há oito meses, quando expôs a seguinte dúvida: a Copa do Mundo respeitará o direito dos idosos? Pois bem, seu Antônio já antevia que o artigo 23 do Estatuto do Idoso, o qual prevê que a participação dos idosos em eventos esportivos será proporcionada mediante descontos de pelo menos 50% (cinquenta por cento), seria alvo de “ataque” da poderosa Fifa.
Recentemente, foi noticiado que havia atrito entre a Fifa e o Governo Brasileiro no que se refere, dentre outras coisas, ao direito do idoso de obter desconto nos ingressos. Nesse sentido, a confecção da Lei Geral da Copa (que trata das garantias dadas pelo governo referentes à organização e à realização do evento), virou assunto de Estado.
Com efeito, temos de um lado a soberania nacional e o respeito à Lei Federal nº 10.741, de 1º de outubro de 2003 (Estatuto do Idoso) e, de outro lado, a “poderosa” Fifa, a qual não abre mão de ditar as regras do jogo. Como aquela criança dona do pátio e da bola, que não aceita que mexam em suas regras estabelecidas, irritou-se com a possibilidade de se respeitar a lei brasileira e prestigiar os idosos com os combatidos descontos. O assunto espera deliberação do Congresso Nacional, mas há até a ameaça, em casos extremos, da não realização do evento no Brasil, como informa fonte ligada à Fifa.
Ao meu ver, considerando que o evento será realizado em território brasileiro, deve haver respeito à legislação vigente, não só por uma questão jurídica de soberania nacional, mas como forma de prestigiarmos aqueles que derrubaram suor e lágrimas no chão da pátria visando a construção de um país pacífico e tolerante. Seria absurdo pensar que o poder econômico, a força de uma entidade privada, tivesse o poder de afastar o que há de mais sagrado em um povo: suas leis.
Momentos como esse servem para reafirmarmos a nossa independência e nossa índole inclusiva, tolerante e acolhedora. O futebol, tão reverenciado pela inclusão social que possibilita, pela amizade entre os povos que cultiva, deve, pela entidade máxima desse esporte, respeitar aqueles que construíram e desenvolveram o nosso país. Como diria meu pai, à beira do fogo de chão: seria uma questão de sabedoria.”
