Viu a sorte da Alemanha contra a Suécia?
À pergunta, retruco dizendo que os alemães construíram sua própria sorte, se é que me faço entender. Gelados feito um iceberg, imperturbáveis diante da eliminação batendo à porta, martelaram, martelaram e quando o relógio, que não detinha o seu caminho, e este surgia inexorável, dava sua última volta, viraram a partida, num gol de arrepiar aqueles, como eu, que torciam não contra a Suécia, que admirei pela bravura, mas para nossos algozes em 2014.
Sim, quero a Alemanha no caminho do Brasil.
Seria um atestado de mediocridade e medo, até mesmo um equívoco grotesco, torcer contra a Alemanha pelo simples fato de a Alemanha ser a seleção que nos enfiou 7 a 1 como quem desfila na Sapucaí.
Seria uma traição à memória gaúcha narrada assim em Galo de Rinha pelo mestre Jayme Caetano Braun:
“No teu ímpeto guerreiro / Vejo um gaúcho avançando/ Ensangüentado, peleando/ No calor do entreveiro!”
Quero um novo entreveiro contra os alemães.
Quero a Alemanha, nosso impiedoso carrasco nas oitavas de final.
Quero goleada de 1 a 0 para lavar e enxaguar minha alma.
