Hiltor Mombach

Réplica ao texto do colorado "Copa da Arena ou no Beira Rio


Caro Hiltor,

tenho acompanhado teu blog por conta das obras da Copa, e como gremista que acompanha desde 2006 o Projeto Arena, vejo-me na obrigação de contestar a opinião do colorado Felipe, que tu publicaste sob o título de "Copa da Arena ou no Beira-Rio"

Um abraço e segue:

Felipe,

Quer dizer que os mesmos turistas que ficavam em média 10 DIAS NA MESMA CIDADE, agora, por causa que o Aeroporto é perto da Arena, ficarão menos tempo?????

Os estádios na África eram tão longes do Aeroporto que a viagem durava 10 dias???

Balela!

Os turistas ficam aonde tiver coisas para visitar. Visitarão o Ibere Camargo, o Barra Sul, quem sabe o Cais do Porto (te mexe, Poder Público!), o Gazômetro, etc, independentemente da localização do estádio-sede. Isso porque há tempo de sobra para fazer várias coisas, inclusive ir à Serra Gaúcha. Não é a toa que lá as cidades estão se preparando para receber grande parte desses turistas. E receber bem, como sabemos que receberão.

Ademais, o governo não precisa do estádio do Internacional para fazer as intervenções na região. Não é simplesmente o estádio que justifica os investimentos de mobilidade, para as pessoas e para os turistas. Pois eles vão circular por onde tiver coisas para fazer – seja longe ou seja perto. Ou seja, todos os investimentos são muito necessários.

Se for para falar em legado, vamos lá: o Humaitá é um bairro da cidade que também merece atenção – e nunca teve! é só ver o estado em que se encontra. A rodovia do Parque vai “desembocar” lá e é extremamente necessário que os governos façam as intervenções em mobilidade urbana, pois serão MILHARES DE CARROS POR DIA. Soma-se a isso a nova Ponte do Guaíba, que desembocará ali perto (mais milhares de carros). Ou seja, a cidade passará a viver e transitar pelo Humaitá. Será o novo cartão de visitas da Cidade. Será a entrada da cidade.

Se não fizerem algo, logo, será um caos!

Mas o principal motivo para realização na Arena (além do fato de que a cidade perderá a Copa das Confederações optando pelo Beira-Rio) é: POA poderá vender para todo o mundo a REVITALIZAÇÃO DE UM BAIRRO DEGRADADO, tal qual a cidade de Londres está fazendo com relação à Olimpíada (pegaram o bairro mais pobre da cidade e escolheram como local para construção da “cidade olímpica”). Isso é legado! Dar uma vida melhor a quem mais precisa.

Em algumas regiões da cidade as pessoas discutem se irão comer croissant ou bolo inglês, enquanto em outras regiões as pessoas apenas se preocupam em ter o pão para comer.

Vamos dar dignidade a quem precisa, vamos ajudar POA a crescer. E chega de “arregos” dos governos estadual e municipal para o clube social PRIVADO Sport Club Internacional.

Nesse ponto tu deves estar pensando: "quanta demagogia, ele só está pensando no Grêmio". OK, podes pensar assim. Mas mesmo que fosse por clubismo, a afirmação acima não deixaria de ser VERDADE. Ou vai dizer que a pobre e esquecida população do Humaitá merece menos os investimentos da Copa, se comparada com o povo da zona sul?

E claro que o Grêmio ganha também, e como gremista que acompanha o Projeto Arena, sei que o Grêmio ganharia as isenções fiscais federais, além do fato de que o Poder Público agilizaria as obras de mobilidade que o Humaitá precisa – e isso beneficiaria Grêmio e OAS (lembrando que o dinheiro das isenções, conforme aditivo contratual, vai todo para o Grêmio construir o CT e para mobiliar a Arena - no Inter/AG será assim? ou as isenções serão para a construtora?).

Mas não foi o Grêmio quem foi indicado pela cidade em 2009 (e aceito pela FIFA em maio do mesmo ano - há 30 meses atrás) e desde então enrola a cidade com a promessa de “obras na semana que vem”, tendo se chegado ao ponto de o Fortunatti dizer que POA não é mais favorita para a Copa das Confederações.

(…)

Enfim, colorado Felipe, teus argumentos não se sustentam.

Como consolo, te digo que o Inter pode vir a ser um ESTÁDIO DE APOIO, pegando o papel da Arena do Grêmio, quando esta (quem sabe) seja nomeada como Novo Estádio da Copa.

Assim, ainda existirão motivos para as obras de mobilidade urbana na rica região do Sport Club Internacional. Quem sabe vocês até consigam manter as isenções fiscais municipais, estaduais e federais que totalizam R$ 90 milhões, a concessão de 40mil m2 do Parque Gigante e a nova subestação de energia da CEEE que o Inter ganhou de graça (na Arena, pagou-se por isso).

Está bom demais para o “Clube do Povo”, não?

Abraço!

Att.

Renan do Prado

Balneário Camboriú-SC