Hiltor Mombach

Racismo, ainda






Sociedade manifesta apoio a Márcio e exige punição para os racistas


Um manto de solidariedade cobriu o árbitro Márcio Chagas da Silva depois dos deploráveis episódios ocorridos no Estádio da Montanha dos Vinhedos, na quarta-feira 5 de março, no jogo entre Esportivo e Veranópolis. Os principais jornais impressos do Rio Grande do Sul trataram o assunto com o destaque merecido.



O site Apito Nacional, especializado em arbitragem, também explicitou sua opinião:

"Triste e lamentável a atitude de algumas pessoas que praticaram ato de racismo contra o árbitro gaúcho Marcio Chagas da Silva na ultima quarta-feira. O Apito Nacional manifesta total repúdio em relação aos fatos ocorridos na partida e presta solidariedade ao árbitro que acima de tudo é cidadão e pai de família. Somos contra qualquer ato de censura, de cunho racista e esperamos que  as autoridades apure os fatos e que puna os responsáveis."

Rede de apoio virtual
Nas redes sociais, a página no facebook do presidente do SAFERGS Carlos Castro, recebeu inúmeras mensagens de apoio e solidariedade. Também está sendo articulado através da rede virtual um ato público contra o racismo. Nas rádios, o assunto foi tratado e condenado exaustivamente, o mesmo aconteceu em programas de televisão, inclusive em rede nacional.


A Federação Gaúcha de Futebol divulgou nota manifestando repúdio aos acontecimentos de Bento Gonçalves e condenando com veemência todo e qualquer ato de cunho racista.

A palavra da lei

Na esfera jurídica, o procurador
Alberto Franco irá denunciar o Esportivo ao TJD (Tribunal de Justiça Desportiva), por prática de ato discriminatório, no conforme estabelece o artigo 243-G do CBJD (Código Brasileiro de Justiça Desportiva).
O governo do Estado, através do secretário-chefe da Casa Civil, Carlos Pestana, avaliou como “injustificável” o crime de racismo cometido em Bento Gonçalves e afirmou que já solicitou pessoalmente ao secretário de Segurança, Airton Michels, que “utilize todos os instrumentos de investigação para se chegar aos responsáveis”. Para Pestana, é preciso punir exemplarmente esse crime para evitar que isto volte a ocorrer.


Caso de polícia

O procurador-geral de Justiça do Ministério Público gaúcho, Eduardo de Lima Veiga, cobrou providência da Federação Gaúcha de Futebol em relação ao caso. Em entrevista à Rádio Guaíba Veiga ressaltou que o clube tem responsabilidade pelos atos ocorridos em seu estádio e merece punição.  “O clube deve ser punido. O clube é responsável pelo que acontece no estádio, pelo comportamento do público, árbitro agredido ou seja lá o que for. Ficarei decepcionado com a federação se ela não tratar esse assunto com a seriedade que merece. Não pode ficar como coisa do futebol, que acontece”, declarou  Além das sanções esportivas, o procurador Lima Veiga ressaltou que o crime de racismo deve ser investigado. “É o momento de começar a agir. Além de repudiar o que aconteceu, temos que tomar previdências. Esse é um caso de polícia. A Polícia Civil deve instaurar um processo de investigação. No ambiente em que aconteceu, essas pessoas não fizeram isso secretamente. Tem gente que viu, que conhece as pessoas, e uma investigação séria chegará nessas pessoas. O que aconteceu lá foi um crime. Quem cometeu esse ato é criminoso e deve ser tratado dessa maneira”, completou.
O presidente do Esportivo, Luis Delano Lucchese Oselame, divulgou uma carta aberta lamentando o caso O mandatário garantiu que o clube não medirá esforços para esclarecer o que ocorreu na Serra. Ele também convocou a torcida para ajudar as autoridades a identificar os autores dessas “atrocidades” e afirmou que não seria justo o Esportivo ser punido por “alguns poucos que se dizem torcedores”.


Fonte: levantamento da Assessoria de Imprensa do SAFERGS