Minhas dúvidas me perseguem e atropelam por toda a parte. Nelson Rodrigues escreveu isto não sobre as dúvidas dele, mas sobre as dívidas.
Quem acoberta um ato racista é racista por tabela?
Quem ouve uma declaração racista e faz de conta que não ouviu é racista?
Quem é cúmplice de racismo é racista?
O brasileiro é mestre em generalizar.
Cada ser humano é um ser humano, mas para o brasileiro não há individualidade. Quantas vezes já ouvimos “todo político é ladrão”.
Talvez, para os ladrões, a ofensa maior seria citar os honestos.
“Só poderia ter partido de um argentino” ouvi em uma rádio do Ceará.
Tratava-se do suposto ato de racismo supostamente vomitado por Cuesta.
Suposto pois se espera a prova provada, embora ninguém sequer sonhe que alguém vá inventar tamanha afronta.
Não foi um argentino a lançar seu preconceito contra o goleiro Aranha.
Como também não foi num jogo entre Zequinha e Noia.
Tenho dúvidas sobre pessoas que acobertam atos racistas pouco importando o motivo. Há aqui uma cumplicidade afrontosa, indigna.
Também tenho dúvidas sobre quem generaliza.
As pessoas não são farinha do mesmo saco.
Casa saco com a sua farinha.
