Hiltor Mombach

Racismo, réplica

Racismo, réplica

Está em www.ducker.com.br. Texto de Jorge Bettiol.
"O tempo passou, os embates no futebol de botão se eternizaram na memória e a coleção foi sendo deixada de lado. Acabou desfeita (hoje restam três exemplares: campeão brasileiro de 81, Libertadores e Mundial de 83), mesmo antes do começo das grandes transformações da revista. Até mesmo a compra esporádica foi escasseando. Vieram novas fases, novos formatos e enfoques, outros profissionais. Hoje o diretor de redação da referida publicação é o gaúcho Sérgio Xavier, desafortunadamente um gremista. Ao procurar responder de forma “contundente” a uma polêmica pontual que (a meu juízo) tomou uma proporção exagerada, mudou de assunto e voltou a efetuar aqueles ataques grosseiros, desmedidos e profundamente desonestos sobre racismo na torcida do Grêmio. A velha ladainha dos cânticos (repetida à exaustão pela amargura midiática local e que, de tempos em tempos, retorna explícita ou disfarçadamente) que ensejou a seguinte frase do infeliz articulista: “... um pequeno racistinha está sendo formado na Azenha. Boa parte do estádio manda ver nos xingamentos à "macacada".” Disse até mais, numa incrível capacidade de dizer asneiras em poucas palavras. Assunto batido para nós gremistas, enfadonho, infelizmente recorrente. O fato é que de redações resplandecentes de peles alvas, seguem hostilizando o conjunto da Nação Gremista. Insistem em cretinamente distorcer o caráter destas manifestações e fazem de conta que os negros gremistas não dedicam aos brancos rubros tais cantorias. Certo está o histórico rival que, após longa data assistindo seus adeptos exaltando a figura do macaco (inclusive com um folclórico cidadão sempre utilizando uma máscara nos jogos realizados no aterro) em bandeiras, camisas e faixas, o institucionalizou como um expressivo símbolo do clube da Padre Cacique, com direito a exploração comercial. Tudo isso é de amplo conhecimento público, é visível, está escancarado. Só que incrivelmente, hipocritamente, não é repercutido na cobertura esportiva “politicamente correta”. Por qual razão ? A propósito: sugestão de pauta para o Sérgio Xavier (pois aqui na aldeia, adivinhe, ignoraram solenemente): entrevistar o jogador Baiano que, ao ser companheiro de Roberto Abbondanzieri adquiriu autoridade para testemunhar sobre o que é sofrer vergonhosa discriminação racial num ambiente futebolístico. Vamos aguardar a matéria, embora sem muita esperança. A Placar de qualidade e bons serviços (em 1982, por exemplo, foi decisiva para detonar a chamada “máfia da loteria”), deu lugar a uma publicação com poucos escrúpulos. Não por acaso taxada de praticar um “jornalismo cafajeste” (episódio Casagrande e outros) por setores da própria imprensa. Um retrocesso sem fim."