Hiltor Mombach

Razões para não renovar a vaga no CD do Grêmio

Porto Alegre, 16 de Agosto de 2013


Prezado Hiltor:


- Dentro de alguns dias, teremos mais uma eleição para a renovação no Conselho Deliberativo do Grêmio, tenho certeza que muitos Gremistas de todas as idades, profissões e crenças estarão disputando a chance de entrar para este seleto grupo.


- São gremistas de várias partes do Estado, que apaixonados e cheios de ilusões, querem entrar para o Conselho e ajudar o clube.


- Em 2007, sob as asas e acreditando no texto do Estatuto do Movimento Grêmio Novo, ganhei minha chance.


- Em 2010, quando o Grêmio se preparava para rasgar sua Constituição para dar apoio a um “Chapão” e retirar do Associado a chance de decidir quem deveria ou não entrar para o Conselho, decidi sair do MGN.


- Na mesma data decidi que não iria mais concorrer para renovar minha vaga no Conselho. Decisão mantida. Recebi  convites do Homero Belini, figura fantástica para quem trabalhei na última campanha para a presidência do clube, mas a decisão estava tomada.


- Seguem algumas razões pelas quais tomei minha decisão.


1. Política – O excessivo número e alas” e “sub-alas” que vão se criando dentro do Conselho, não fazem bem ao clube. São divisões que só servem para desviar a atenção do principal que é o cuidado com o futuro do clube.


2.Profissionalização – Todos, mas todos os Grupos, prometem lutar pela profissionalização e modernização dos métodos de administração do clube. Nada fazem. De 2007 à 2013, não vi avanços que possam mostrar que estamos no caminho da profissionalização.


Exemplos: a) De 3 em 3 meses, o Conselho Fiscal repete (até com o mesmo arquivo Power Point), as mesmas recomendações sobre as providências que precisam ser adotadas para  levar o Clube para o caminho da moderna Administração. Quando você pensa que o orador vai pedir a reprovação das contas e dos métodos contábeis, ele recomenda a aprovação.


b) Todos os anos o Presidente de Plantão apresenta no início do ano um Orçamento e pede aprovação do Conselho. Conselheiros aprovam, sabendo de antemão que não será levado em conta. Todos os anos no final da temporada, lá vem o Presidente de Plantão e seus vices com um enorme rombo no orçamento e solicitando uma suplementação. O interessante é que trata-se uma história que se repete , da mesma forma, o pedido de  suplementação é feito depois de todas as dívidas já assumidas. Os Conselheiros se curvam majestosamente, ano após ano.


3. O Poder do Conselho – Lendo o Estatuto do Clube, da para saber com clareza cristalina, que o Conselho Deliberativo  do Clube é órgão superior ao Conselho de Administração do Clube, mas na realidade se porta com Orgão Auxiliar de todas as Administrações.


Há uma inversão de valores, e o que pode parecer positivo para o Clube, já virou o fio a muito tempo. O Grêmio precisa de um Conselho que saiba exatamente o seu lugar e que se imponha pela sua importância, fazendo valer suas decisões.


4. O Poder do Conselheiro – Mais uma vez, lendo o estatuto do Conselho, é fácil observar que o Estatuto permite aos Conselheiros fazerem bem mais do que agirem como assistentes das ações do Conselho de Administração.


Observei em alguns dos meus pares que o orgulho por pertencer ao seleto grupo de Conselheiros do clube, poder dizer e mostrar este “troféu” de forma estridente, vale mais do que as ações que o cargo exige.


Dentro de mais alguns, volto para o lugar de onde nunca sai na verdade, volto para o meio do torcedor, associado ou não, e de lá vou ficar torcendo pelo time em campo e pelo clube que é a minha  paixão desde os 6 anos de idade.

Que Deus ilumine os novos Conselheiros que virão no final de mais uma eleição, e que eles reflitam sobre a importância, dever e necessidade de tomar uma atitude sobre os destinos do Conselho Deliberativo do nosso Grêmio.


Abraços.


João Manoel Martins Silva – Maneca.


Conselheiro do Grêmio – gestão 2007/2013