A opinião publicada na tua coluna, do Mateus Carrilho, é, evidentemente, de colorado, e fico chateado que tu leves as pessoas a lê-la sob um título que não deixa claro que é uma "manifestação uniformizada". Mas, já que li, achando que seria isenta, retruco, como opinião de gremista que sou.
Pois bem, a opinião tem alguns defeitos sérios.
Comecemos pelo começo, o passado. Colorados insistem em tentar desmerecer o Hamburgo, que enfrentou o Grêmio em 1983. Aquele time do Hamburgo, naquele ano, venceu, na final da liga europeia, a Juventus, de Dino Zoff, Michel Platini e Paolo Rossi, entre tantos outros (incluindo outros jogadores da seleção italiana campeã do mundo em 1984, como Scirea, Cabrini, Gentile, Tardelli). Pouca coisa... Esse mesmo Hamburgo, nesse mesmo ano, conquistou o bi-campeonato alemão em sequência, completando, então, seu 6º título alemão (ou seja, mais títulos nacionais do que Grêmio e Inter juntos, já naquele tempo. O time que enfrentou o Grêmio só tinha dois jogadores titulares diferentes em relação ao que foi campeão europeu. Colorados fazem questão de tentar classificá-lo como um clube menor, pelo que ele tornou-se nos anos seguintes, mas não há como negar a sua grandeza na história do futebol alemão. Aliás, o clube é o ÚNICO alemão a nunca ter sido rebaixado na Bundesliga (o que é um feito em relação a que colorados, até pouco tempo atrás, diriam que "time grande não cai". Ah, só pra fazer ainda uma comparação, e demonstrar que time que é grande, hoje, pode ser que não seja amanhã (e não estou falando do Inter...), assim como pode ser grande hoje sem ter sido há anos atrás. O Barcelona, esse que era tido como imbatível quando enfrentou o Inter (e era, não há nenhum problema em admitir isso), tinha, em 1983, exatos ZERO títulos do que atualmente é a Champions League. E sim, ao contrário do que os colorados afirmam, provavelmente a partir de conversas de bar com outros colorados, o Hamburgo era reconhecido como uma máquina na época, basta pesquisar um pouco. Não é tão difícil. Agora, não adianta ficar só achando que, porque hoje eles não vencem mais campeonatos, sempre foram um clube pequeno. Ok, adiante.
Dizer que "futebol é 90 minutos", sei lá, é qualquer coisa menos análise de futebol, talvez desconhecimento, malandragem ou pura "distração conveniente". Mas futebol, definitivamente, NÃO É só 90 minutos. Qualquer criança que entende minimamente do esporte sabe disso. Então, títulos vencidos na prorrogação (como o do Real Madrid, no ano passado, ou mesmo o do Ajax, contra o Grêmio, nos pênaltis, não valem? Ou essa afirmação estapafúrdia só serve quando é contra o Grêmio (inclusive no exemplo dado do Hamburgo contra o Grêmio!)? Me desculpe, mas um texto que traz um argumento desse tipo não deveria sequer ser levado em consideração, vamos combinar. Mas, vá lá, vamos aos outros argumentos.
O cara primeiro afirma que não há por que comparar Barcelona e Real Madrid para, a seguir, tentar reduzir o Real Madrid, pela sua situação atual nos campeonatos. Bom, em primeiro lugar, ano passado, o Real era considerado muito mais imbatível do que agora, e suou para vencer o japonês convidado Kashima Antlers na final, apenas na prorrogação. Segundo, a colocação atual nos campeonatos não significa em que posição ficará ao final desses campeonatos. Além disso, o poderoso Barcelona que perdeu pro Inter, quando da disputa dessa final, já estava disputando La Liga 2006-2007, e a perdeu justamente pro Real Madrid (assim como a de 2007-2008). Esse Barcelona, que, para estar nessa edição do Mundial, venceu a Champions League (com seu nome anterior) de 2005-2006, também não venceu esse campeonato em 2006-2007. Essas informações, mais do que mostrar uma opinão sobre a grandeza do Barcelona na ocasião, deixam claro que era um time em decadência, com Ronaldinho e Deco em seus últimos momentos, Eto"s machucado, e ainda antes da ascenção do Messi. Isso, evidentemente, não tira o valor da vitória do Inter, mas está longe de mostrar que o time daquela ocasião era uma das maiores coisas do futebol de todos os tempos. Aliás, em termos históricos, é bom lembrar: quantos mundiais (FIFA ou não) tinha o Barça na ocasião? ZERO! Depois da final, o Inter passou a ter mais mundiais do que o Barcelona, inclusive. Pra comparar (embora afirmado no texto colorado que não dá pra comparar), quantos mundiais tinha o Real antes de enfrentar o Grêmio? CINCO, sendo dois com sobrenome FIFA e 3 Intercontinentais (aquele campeonato que colorados insistem em não reconhecer, embora agora afirmem que o Grêmio é bi-vice, mas não confirmem que tem um mundial... vai entender). Afora isso, embora a controvérsia em comparar os times da final, a importância histórica do Barcelona não tem comparação, não chega aos pés do Real Madrid. Aí não é questão de opinião, são dados inafastáveis. Real Madrid tem 6 mundiais, contra 3 do Barcelona. Tem 12 Ligas Europeias, contra 5 do Barcelona. Tem 33 espanhóis, contra 24 do Barcelona. São incomparáveis.
Ah, claro. Tem a comparação do Hamburgo com o Barcelona. Pois é. Quando o Hamburgo disputou a final contra o Grêmio, vencera o seu primeiro título europeu. O Barcelona, quando jogou contra o Inter, acabara de vencer o seu segundo título nessa liga. Que baita diferença, só que não. Claro, nos nacionais, havia diferença relevante. Mas, vamos combinar, até hoje é criticada a vantagem que Real e Barcelona tem em relação aos demais clubes nacionais, justamente o que se sustenta que tem que ser evitado no Brasil. Mesmo assim, como antes referido, aquele Hamburgo tinha SEIS títulos nacionais, o que, em se tratando da Alemanha, um campeonato mais equilibrado (ou pelo menos não tão desequilibrado como o espanhol), era algo bastante razoável (basta comparar com o Brasil, quantos times têm esse número de campeonatos nacionais...).
Enfim, com relação à comparação do grupo de jogadores, sei lá, vai muito de opinião pessoal. Mas comparar o Clemer com o Grohe, na minha opinião, é complicado. Respeitado o histórico do Clemer, como o mais vencedor goleiro do Inter, não lembro de ele ser convocado para a Seleção. Grohe já foi, e muita gente defende que deveria ser novamente. E, em termos de histórico, ainda tem tempo de chegar no mínimo próximo do Clemer. O resto dos nomes que ele comparou, sei lá, novamente, é questão de opinião. O que fez o Pato (que estava apenas aparecendo nessa época) depois de explodir no Inter? Everton tem carreira pela frente, ainda, cabe lembrar. Eu acho que Geromel vive uma fase muito melhor do que o Índio jamais viveu. Ceará melhor que o Edilson? Eu não tenho essa certeza toda... Fernandão, por mais que ele represente para o Inter, não jogou absolutamente nada na final (tanto que foi substituído pelo Gabiru), da mesma forma que o Luan não jogou. Nome por nome, jogador por jogador, não dá pra apontar um grupo de jogadores absurdamente melhor do que o outro. E também não lembro de notícias da época dando conta de que o Inter era disparado o time que jogava o melhor futebol do Brasil (e ainda menos da América).
E, pra concluir, o jogo dos dois times: se o Inter não tivesse feito aquele gol, de puro oportunismo, que merecidamente deu o título, e se o Barcelona não tivesse perdido o caminhão de gols que perdeu, também não seria campeão, e tinha entrado pra história um vareio do Barcelona. Mas venceu. O Grêmio, nos 90 minutos e na prorrogação contra o então imbatível Ajax, enfrentou de igual pra igual o campeão europeu, com um jogador a menos mais da metade do segundo tempo (e sempre é bom dar uma pesquisada pra lembrar o quanto era tido como imbatível aquele Ajax, que teve 25 vitórias seguidas naquela temporada - está no livros do recordes, só atrás de um outro resultado do próprio Ajax -, e que, só pra lembrar, tinha 4 títulos europeus quanto enfrentou o Grêmio, contra 2 do Barcelona, quando enfrentou o Inter...). Grêmio perdeu nos pênaltis (o que, só pra lembra, faz parte do jogo...). Contra o Real, todo mundo sabia da superioridade dos espanhóis em relação ao Grêmio. Mas, afora o fervor com que os colorados afirmam que o Grêmio apanhou, é importante lembrar que o jogo foi apenas 1 a 0, e que, até o gol de falta do Real (decorrente de erro exclusivo do Barrios), o Grêmio vinha suportando bem, com atuação exemplar de seu sistema defensivo (o mesmo que aconteceu com o Inter contra o Barcelona, diga-se de passagem). A diferença foi que o Grêmio errou em um lance capital (a bola iria bater na barreira, só pra lembrar), ao contrário do Inter, que, além de ir bem defensivamente, teve sorte de o Barcelona perder os gols que perdeu. O Grêmio, depois do gol, mesmo sem efetividade no ataque (especialmente pela ausência de um de seus principais jogadores, o Artur, e por conta da falta de comprometimento com o jogo por parte do Luan), teve que se abrir, pra tentar buscar o resultado, e, mesmo assim, não sofreu mais gols. Mas, sem efetividade na armação, não teve presença no ataque. Agora, vamos combinar: afora o gol oportunista do Gabiru, o ataque do Inter também praticamente não existiu.
Só pra concluir: tem colorado dizendo que a atuação do Grêmio foi a pior em mundiais. Não fez por merecer a vitória, é verdade. Mas longe de ser a pior, até porque, recentemente, o Santos levou 4. E, cabe lembrar: não dá pra falar de atuações ruins em finais e fazer de conta que não existiram atuações ruins em semifinais, né? Tem colorado que tem coragem de falar mal da atuação do Grêmio contra o Pachuca. Tá, tudo bem, a derrota para o Mazembe doeu, e as pessoas tendem a bloquear experiências ruins, mas isso não apaga da existência a derrota por 2 a 0 para o Mazembe. E, mais do que isso, a vitória do Inter contra o Barcelona evidentemente tem seus méritos. Mas longe de ter sido uma atuação perfeita ou em que o Inter não tenha sofrido. Bem longe.
Atenciosamente,
Gustavo Eckhard"
Hiltor escreve: o título é claro "
