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O futebol é repleto de clichês. Um verdadeiro rec-repete: tudo que um dia alguém falou será repetido à exaustão. Nada se cria, tudo se repete. De cascudos a noviços, todos se entregam aos clichês, numa falta de criatividade de dar dó. Antônio Vicente Martins, do MGI, foi vítima de clichês. O Movimento Grêmio Vencedor, contrário a Vicente, então vice-de futebol do clube, disparava em seu site: “Por que o departamento de futebol segue prestigiado depois de tantos equívocos... O fato é que necessita-se de um basta imediatamente. Basta na conformidade, nas explicações enfadonhas e na falta de comando.” Na trincheira do MGV estava, e ainda está, Marcos Chitolina. Antes, tão-somente um sócio disposto a subir vários degraus (e com que rapidez fez isso!) e, hoje, conselheiro e assessor de Koff no futebol. Em matéria de rec-repete Chitolina deixou Vicente no chinelo. Explicações enfadonhas e repetitivas são com ele mesmo.Luxemburgo ia de mal a pior no Grêmio, o time havia arrancado uma vitória magra, de 1 a 0, sobre o Veranópolis, lanterna do Campeonato Gaúcho, e perdido para o Huachipato pela Libertadores, em casa. Entrevistado, Chitolina disparou: “O Luxemburgo tem todo o apoio dessa direção. Ele é um dos melhores técnicos desse país.”Caiu Luxemburgo, “um dos melhores do país” e desembarcou Renato. Não levou tempo para ser avaliado por Chitolina: “Mudaram o estilo de vestiário, ânimo, pegada, conceito de futebol e preparação física. O time quer vencer, está totalmente fechado nisso”. Caiu Renato e veio Enderson Moreira. A serenidade e a calma do novo técnico incomodavam parte dos torcedores gremistas, que não enxergavam nele capacidade de indignação necessária para comandar a recuperação do Grêmio. “Ele tem poder de indignação e é sanguíneo. Ele se indigna e quem participa do vestiário e ouve as conversas dele sabe que ele é assim”. Caiu o sanguíneo e veio Felipão. Depois da derrota para o Cruzeiro, a sexta em 16 jogos pelo Brasileiro, Chitolina sentenciou : “O time está tomando uma forma, um corpo, como o Felipe quer”. Nestes quase dois anos o que o Grêmio mais colecionou foram fracassos e ouvir a direção frustra, cansa e irrita os gremistas. O MGI tem munição suficiente para fazer terra arrasada com o futebol desta gestão, mas não possui a virulência do MGV (virulência abandonada desde que Chitolina é assessor de futebol e da parceria com Danrlei) e silencia, num silêncio que talvez denuncie não reconhecer em Chitolina o verdadeiro homem do futebol.