Hiltor Mombach

Recursos do BNDES para Arena Amazônia só devem ser liberados após correção de irregularidades

Recursos do BNDES para Arena Amazônia só devem ser liberados após correção de irregularidades

Está no site da Procuradoria Geral da República - Ministério Público Federal

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informou ao Ministério Público Federal no Amazonas (MPF/AM) e ao Ministério Público do Amazonas (MP/AM) que a liberação do crédito para construção da Arena Amazônia está condicionada à correção das graves irregularidades apontadas por análise da Controladoria Geral da União (CGU). A arena é um complexo esportivo que será construído em Manaus como parte das obras para a Copa do Mundo de 2014 e que substituirá o estádio Vivaldo Lima.

A análise da CGU atendeu à solicitação da 5ª Câmara de Coordenação e Revisão (CCR) do MPF, que trata de questões que envolvam patrimônio público e social, e concluiu que há sobrepreço em diversos itens, que o projeto básico não está suficientemente detalhado para que se possa determinar a quantidade necessária de material, que o cronograma físico-financeiro proposto não condiz com a realidade e que as irregularidades implicarão aditivos contratuais.

Depois de receber a nota técnica com a análise da CGU, o MPF/AM e o Ministério Público do Estado do Amazonas (MP/AM) expediram recomendação ao Estado do Amazonas para que sejam sanadas as questões relativas ao sobrepreço apontado, as deficiências do projeto básico da arena e demais irregularidades encontradas.

Ultimadas as adequações, o Estado do Amazonas deverá repactuar o contrato com a Construtora Andrade Gutierrez S/A., com o ajuste de todos os itens no qual se constatar o sobrepreço, após revisão completa do orçamento da obra. A construtora deverá firmar declaração informando que o projeto executivo está adequado e o valor global contratado é suficiente para a execução do empreendimento. Se houver resistência da construtora, o MPF/AM e o MP/AM recomendam a anulação do contrato.

Eventual liberação de recursos pelo BNDES no momento atual só será feita se for restrita ao financiamento do projeto executivo da obra, o qual deverá ser apresentado sem as deficiências já apontadas. Os recursos restantes somente devem ser liberados após afastadas as irregularidades.

O BNDES também condicionará a liberação de recursos à inclusão de cláusula no contrato relativa à transparência e à publicidade dos dados do empreendimento, garantindo o livre acesso dos órgãos de controle à documentação e ao canteiro de obras.

O MPF/AM e o MP/AM recomendaram ainda que, diante das graves irregularidades apontadas na obra da Arena Amazônia, o BNDES adote exigências semelhantes, com as adaptações necessárias, em relação a todas as contratações relativas a financiamentos do Programa BNDES ProCopa Arenas, como medida preventiva para evitar contratações de obras de arenas esportivas com ilegalidades.

Em ofício encaminhado ao MPF/AM, o BNDES informou que o financiamento da Arena Amazônia será realizado com o estabelecimento de condições contratuais que estão em sintonia com as recomendações do MPF/AM e do MP/AM, com previsão de dois subcréditos distintos - sendo o primeiro específico para o financiamento do projeto executivo e o segundo para o financiamento da construção da arena depois de sanadas as irregularidades detectadas pela CGU. Além disso, o BNDES irá replicar as cláusulas contratuais propostas na recomendação, no que couber, no financiamento das demais arenas da Copa de 2014."

O Portal 2014 já havia revelado em agosto que o Tribunal de Contas da União havia achado indícios de sobrepreço de R$ 63 milhões no edital do estádio.