REFLEXÕES SOBRE AS OBRAS DO COMPLEXO BEIRA RIO / POR MÁRIO SÉRGIO MARTINS
Caro Jornalista Hiltor Monbach
Depois de refletir sobre o andamento das questões das obras do nosso Complexo Beira Rio, isto desde o ano de 2009 até a última reunião, quero destacar alguns aspectos que entendo oportuno e importante.
Em 2009 elaboramos o Planejamento Estratégico do Internacional para o período dos próximos 10 anos (de 2010 a 2019).
Montamos um grupo com lideranças de TODOS os movimentos políticos, entre eles o ex-Presidente Vitorio Piffero, o atual Presidente Giovanni Luigi, o Presidente da Comissão de Obras João Patrício e outras tantas lideranças do Clube, entre eles Pedro Affatato, Sandro Farias, Décio Hartmann, Luiz Fernado Costa, este Conselheiro que ora lhe escreve, e mais outros e importantes conselheiros e também colaboradores do Clube.
O Planejamento Estratégico foi aprovado em março de 2010 e, a partir deste momento, os objetivos definidos por ele regiam o futuro de nosso clube.
Apresento apenas dois pontos do Planejamento Estratégico:
- Diversificar as fontes de receita
- Rentabilizar o patrimônio que deverá representar 30% do faturamento do Clube até 2019
Por incrível que pareça, menos de um ano da aprovação do Planejamento Estratégico, já está se tornando peça de ficção.
A proposta da Andrade Gutierrez nos consome 100% das receitas de nossas áreas VIPs (suítes, camarotes, skybox, cadeiras VIPs) por 20 anos. Ou seja, utilizarão nosso patrimônio e força da marca Internacional para comercializar áreas VIPs e não entrará nenhum dinheiro para o Clube.
Números de orçamentos são divulgados pela atual gestão, porém informações importantes não são divulgadas, como não consideram as isenções municipais e estaduais, já garantidas por lei, independente da Copa do Mundo ser no nosso estádio, que ultrapassam os 15%. Também incluíram, o que faz aumentar o orçamento, serviços desnecessários, como por exemplo, a impermebialização da arquibancada superior que passa a ser coberta no projeto.
O ex-Presidente Vitorio Piffero apresentou propostas financeiras formalizadas e engenharia. Provou para todos que o orçamento é de R$ 158 milhões incluindo os novos serviços e as isenções municipais e estatuais. Não houve contestação deste número por parte da atual Gestão ou dos executivos contratados pela Direção, isto na reunião do Conselho Deliberativo de 02 de março último.
Hoje já temos R$ 53 milhões, em recebidos e recebíveis até 36 meses, na conta destinada para as obras. Já comercializamos em torno de 25% das suítes e camarotes, isto que não houve nenhuma campanha de marketing para incentivar essa comercialização. Precisamos de R$ 105 milhões para concluir a obra. Ninguém da atual gestão contestou este valor quando apresentado por Vitorio Piffero no Conselho Deliberativo.
Em valores projetados para 20 anos, temos potencial para obter R$ 1 bilhão de receitas para o Internacional. O que dispensaria a venda de jogadores por obrigação financeira, e teremos um patrimônio moderno e rentável para o Clube. Sabemos que é difícil, mas não impossível, conseguir comercializar 100% das áreas VIPs, porém se comercializarmos 60 a 70%, moelo de antecipação de receitas já aprovado pelo Conselho Deliberativo, a uanimidade, em 2010, cobriríamos os custos da obra.
No modelo apresentado e defendido pela atual pela gestão, a receita para o Inter é ZERO nos próximos 20 anos. Não podemos aceitar este modelo. Abrir mão de TODA a receita das áreas VIPs por 20 anos para concluir uma obra que falta R$ 105 milhões? Mesmo que seja um pouco mais, o que não será um valor muito além deste.
Os que defendem a entrega da Obra a uma empreiteira argumentam dizendo que não é negócio do Inter comercializar espaços VIPs e Lojas. Mas também não é negócio das empreiteiras. A Andrade Gutierrez deverá contratar uma administradora que fará as comercializações. Por que o Inter não contrata diretamente a administradora e term participação nas receitas? Por que tem que passar para a Andrade Gutierrez contratar a administradora e ficar com ZERO de receita por 20 anos?
Torcedor , pense o que será o Clube daqui a 10 anos, 12 anos, 15 anos. Sem estas receitas das áreas VIPs. O que fará a gestão no futuro? Onde eles vão buscar dinheiro? Já respondo hoje: intensificar a venda de jogadores, aumentar os ingressos, aumentar da mensalidade de sócio.
Temos condições de fazer com recursos próprios, mas também sabemos que a FIFA cobra garantias dos Clubes, o que já faz a mais de um ano, mas que ainda não as temos, mas que unidos, poderemos buscar solução que atenda aqueles rgãos, mas que primeiro atenda as necessidades e importância do Internacional.
Temos obrigação de buscar uma solução intermediária, que diminua o risco de fazer com recursos próprios e mantenha o nosso estádio como representante da cidade na Copa do Mundo. Mas não podemos aceitar, em hipótese alguma, um modelo que seja de receita ZERO para 20 anos só para sermos estádio de Copa do Mundo.
É uma reflexão, quem sabe para pensarmos durante o Carnaval.
Inter, rumo ao Bi da Libertadores, Rumo ao Tetra do Brasileirão.
Mario Sergio Martins / Conselheiro
