Hiltor Mombach

REFLEXÕES SOBRE UMA DÉCADA DE GRÊMIO

REFLEXÕES SOBRE UMA DÉCADA DE GRÊMIO

Uso o texto publicado por Marcelo Aiquel em www.gremioindependente.com.br e reproduzido neste blogue para algumas remembranças.
A falência da ISL quase quebrou o Grêmio. Sem o aporte mensal superior a R$ 2 milhões, o clube não teve onde buscar dinheiro para honrar compromissos. Havia estabelecido uma folha salarial altíssima, com jogadores recebendo mais de 200 mil dólares mensais. Coube a Obino descascar o abacaxi. Com diria um ministro brasileiro, o abacaxi era "indescascável". Com Obino, a folha baixou para R$ 400 mil, com treinador recebendo R$ 27 mil por mês. Os verdadeiros gremistas abraçaram Obino durante e depois da sua gestão e aqui cito, como exemplo, o grande Hélio Dourado, que com seus cabelos brancos agarrou-se ao Grêmio como quem lança um desafio: se afundar, eu afundo junto. Erasmo de Roterdan reservaria um capítulo para Dourado no surpreedente e fantástico "O Elogio da Loucura": só louco para abraçar um Grêmio tão miserável em seus cofres. Outros abraçaram Obino mas depois o relegaram publicamente, lembrando um personagem bíblico. Com Obino, a instituição conheceu outra treva,a da Segunda Divisão, com corte de receita, como se fosse possível cortar o que não havia.
Passou Obino e veio Odone. A história fará justiça a Odone, se é que já não o fez. Estamos diante de um presidente vitorioso em campo e nas finanças. Mesmo com um futebol engessado numa verba de R$ 1,7 milhão por mês o time foi longe. Com Odone vislumbrou-se uma luz no final do túnel. E esta luz não era a de um trem vindo em sentido contrário. A gestão Odone foi marcada por um paradoxo: ele, que carrega a política no sangue, atuou no clube como a mais genuína negação de um político. Transformado em Zeus, tentou impor Antônio Britto como seu sucessor.Ali, desabou do seu Olimpo. Mas, e há sempre um mas em tudo, a gestão Odone não merece ser lembrada por isto, mas pelo sucesso nos gramados e, repito, nas finanças, embora aqui sucesso não signifique dinheiro em caixa, mas a chance de, como diria Túlio Macedo, se matar um leão por dia.
Veio Duda Kroeff. Com Duda, as finanças receberam injeções consideráveis. A receita social passou para R$ 20 milhões anuais, o pay-per-view engrossou o caldo da TV com mais R$ 8 milhões anuais e o Banrisul saiu de um patrocínio de R$ 3,2 milhões para R$ 12 milhões por ano, sendo de R$ 7 milhões em dinheiro. Na gestão Duda o futebol, até então engessado em verbas curtas, saltou dos R$ 1,7 milhão/mês para R$ 3,5 milhão/mês provocando o berro de muitos conselheiros: era muito investimento para pouco resultado. Se em campo o Grêmio não andou, na política desandou. Eleito pelo G-6, Duda preferiu o caminho da solidão política quando no poder. Rompeu com antigos aliados sem promover novas alianças. Este seu pecado, ou pelo menos o que surge agora como pecado. Duda isolou-se no poder e os indicativos são de que irá encerrar sua gestão assim. Segue cordial com o G-6, mas a cordialidade não admite intromissões políticas de nenhuma ordem. Como Odone, mas de outra forma, Duda não está sabendo fazer política. O tempo dirá que preço pagará por isto.