Relato do árbitro Anderson da Silveira Farias sobre o ato de racismo no jogo São Luiz x Caxias.
Como está na súmula enviada para a FGF.
"Aos 39 minutos do segundo tempo, após a marcação de uma falta contra a equipe do SER Caxias, fui informado pelos jogadores da mesma equipe, referente a um ato de racismo contra o atleta número 7 Leonardo da Costa Silva "Tilica", ao olhar para a linha de meta perto do banco de reservas da equipe do SER Caxias, observei jogadores titulares e substitutos perto do alambrado discutindo com torcedores localizados na parte destinada a torcida da equipe EC São Luiz, a equipe da Brigada Militar comandada pelo Capitão Gilmar Bischoff e cerca de mais 10 PMs, que já estavam tentando afastar os jogadores do alambrado, foi quando me aproximei do local. Fui até o atleta número 7 Leonardo da Costa Silva "Tilica" e perguntei o que havia acontecido, o atleta me relatou que foi chamado de macaco por um torcedor da equipe EC São Luiz, logo em seguida foi em direção ao alambrado, tentando encontrar quem havia lhe proferido está ofensa. Através do meu sistema de comunicação perguntei aos membros da equipe de arbitragem se alguém havia escutado as ofensas citadas pelo atleta do Caixas, os Assistentes 1 e 2, assim como o quarto árbitro, não estavam próximos deste atleta que havia sido substituído e estava se direcionando ao seu banco de reservas, e relataram que não conseguiram escutar as ofensas. Me dirigi ao encontro do chefe do policiamento, o Capitão Gilmar Bischoff, e informei a ele, que o atleta havia me relatado que tinha sido chamado de macaco, perguntei qual o procedimento que a brigada militar deveria seguir. O Capitão me disse que o atleta ofendido deveria identificar o autor desta injuria racial, e que com esta identificação ele poderia prender o torcedor. Foi então que me dirigi ao banco de reservas, onde naquele momento o atleta número 7 Leonardo da Costa Silva "Tilica" estava sentado chorando com as mão no rosto, pedi para que ele conversasse comigo e lhe disse as seguintes palavras: "estou aqui para te ajudar, preciso saber se você quer tentar identificar o torcedor que lhe ofendeu", ele me repetiu algumas vezes "ele me chamou de macaco meu, me chamou de macaco, eu quero identificar ele sim", ai disse a ele: "eu vou com você até o comandante do policiamento e você com o auxilio dele vai tentar identificar o autor desta ofensa". Ele prontamente veio e eu conduzi ele até o Capitão Gilmar, e disse capitão: "ele quer seu auxilio para identificar o autor das ofensas", o Capitão falou para o atleta Tilica: "você tem de identificar a pessoa correta, se você tiver certeza, mas tem de ter certeza mesmo, eu vou lá e prendo este torcedor". O jogador foi em direção a torcida e e tentou achar o torcedor, mas nos informou que ele não estava mais naquele local, e logo em seguida voltou ao seu banco de reserva. Perguntei ao Capitão, se ele dava a segurança para reiniciarmos o jogo e ele respondeu que sim. Sendo assim reiniciamos a partida. A partida ficou interrompida por 4 minutos. Ao final a partida perguntei ao Capitão Gilmar se algum boletim de ocorrência havia sido efetuado e ele me informou que nenhum membro da equipe do SER Caxias havia pedido para registar algo. Assim como o membro da CAEF Marcio Cristiano Brum Coruja fez contato com o policiamento e com o Presidente da SER CAXIAS sobre o fato acima referido."
