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Eis que uma frase de Nelson Rodrigues escancara a natureza do ser humano. Lá está: "Pode parecer uma verdade exagerada, violentada, mas eu diria o seguinte: no Brasil, a glória está mais no insulto do que no elogio. Se não me entendem, paciência. Mas ouçam uma boa e honrada conversa de brasileiros com brasileiros. Reparem como nós cochichamos o ditirambo e berramos o ultraje. Por coincidência, só ultrajamos os melhores."
Atraiçoado pelo meu inconciente, escalei o Inter com Renan no gol na crônica de hoje, quando me atrevi a escalar um Inter e um Grêmio para um Gre-Nal para daqui há pouco. A postagem acabou no meu blogue e recebeu uma chuva de comentários. Os estupidamente agressivos, deletei. Os que viam ali uma conspiração de um gremistão da gema contra o Colorado, postei. Pode parecer uma verdade exagerada, mas há em alguns uma fantasia homicida. A sentença para o deslize, para o equívo, para a traição do inconsciente, nunca merece menos do que a guilhotina. Pai de três filhos amorosos, filho de pais amorosos, amigo de amigos doces e compreensivos, não entendo a agressividade daqueles que, tapados pela máquina, pelo computador, vomitam vitupérios com a facilidade dos que tomam laxante. O resultado é o mesmo. Mas, e há sempre um mas em tudo, há os que ainda salvam o mundo com suas tiradas divertidas, boas sacadas e os que, ao lerem Renan, instantaneamente trocaram por Muriel, pois era isto que a inteligência mandava. Ou porque, como eu, são compreensivos com os humanos.