Sejam menos eruditos. Eis meu conselho. Cometendo uma verdade exagerada diria que o torcedor tem aversão ao academismo. Vê nisto uma falsa sapiência, quase uma bravata.
Surge imponente uma frase de Nelson Rodrigues: "Mas ouçam uma boa e honrada conversa de brasileiros com brasileiros. Reparem como nós cochichamos o ditirambo e berramos o ultraje."
Trocando em miúdos, o torcedor aprecia uma boa especulação, um mexerico. O fato passa despercebido. Já a versão apimentada tem uma vitalidade espantosa.
Uma questão domina colorados e gremistas nesta arrancada claudicante no Brasileiro e véspera de oitavas de final a Copa do Brasil: Renato está a perigo? Mano está a perigo? Sim, quase não se fala sobre outra coisa.
Há uma clara desilusão com o futebol tico-tico da Dupla, alavancada pela impotência do berro oriundo das arquibancadas. Os times não pegam nem no tranco, empurrados.
Acompanhando um ex-ministro de Collor, que se dizia 'imexível', afirmo que Renato é "incaível". Quaisquer que forem os resultados desta quarta-feira e no Gre-Nal seguirá chumbado ao Grêmio feito sua estátua na Arena.
Sobre Mano, diria que dois tropeços o colocarão no patamar de um treinador prestigiado. Diversionista, a direção já encontrou um culpado pelos cinco meses de futebol pífio, o preparador físico. Não custará nada apontar o dedo para o competente Mano.
Ainda ontem os quero-queros que habitam o Beira-Rio se perguntavam como o “clube mais moderno da América do Sul”, uma promessa de campanha de Barcellos, demorou cinco intermináveis meses para identificar no preparo físico a falta de gols e os gols sofridos. Como se vê, é o diagnóstico, simplista, sobre o resultado de campo. Faltam volantes e centroavante. Culpa-se o preparador.
A recente frase de Coudet, dizendo que um dia quer voltar ao Inter, desencadeou fantasias, serviu de ingrediente poderoso para alimentar o mundo das fofocas do futebol.
