Há textos que eu não gostaria de ter produzido.
Assim como há textos alheios que eu gostaria de ter produzido.
Sinto que escrevi muito sobre Renato e que não disse nada.
Lendo artigo de Paulo Cobos, blogueiro do ESPN, fui invadido por um desejo irrefreável de ter sido o autor e aqui confesso minha inveja.
O título da crônica é altamente sugestivo:
"Renato Gaúcho exagera no personagem e parece acreditar de verdade que é maior que o Grêmio".
Cobos inaugura o espaço com delicadeza, como quem alisa:
"Renato Gaúcho, para o bem para o mal, é um dos grandes personagens do futebol brasileiro há décadas.
Craque como jogador e muito acima da média como treinador, fez de sua marra, de seu desprezo ao futebol aprendido nas salas de aula e de suas entrevistas polêmicas o combustível para criação desse personagem."
Ato seguinte, dispara o primeiro petardo:
"Pena que muitas vezes, como agora, ele exagera no personagem e se torna um profissional caricato. Ao menos por um problema grave de saúde de algum familiar (e nada indica que havia um), Renato Gaúcho tomou uma decisão injustificável ao abandonar o Beira-Rio, após derrota no Gre-Nal, para viajar ao Rio de Janeiro sem conceder entrevista coletiva. Mais um episódio em que Renato parece realmente acreditar que ele é maior que o centenário Grêmio."
Retiro ainda duas frases bombásticas:
"No personagem Renato, ele é o responsável por tudo que acontece de bom no tricolor, e nada de ruim é com ele".
A segunda é o arremate: "É até bizarro, mas alguém que manda no Grêmio precisa dizer a Renato, urgente, que o clube é muito maior que ele."
Minha intuição é de que o presidente Alberto Guerra marcou território neste episódio: “
O que se pode fazer, demissão?
Não acho que é esse o caso. De novo, vamos conversar com ele na reapresentação e avaliar internamente."
Transformo uma frase de Chaves em pergunta sobre este desgaste gratuito provocado pelo técnico: foi sem querer querendo?
