Hiltor Mombach

Renato "exagera no personagem"

Há textos que eu não gostaria de ter produzido. Assim como há textos alheios que eu gostaria de ter produzido. Sinto que escrevi muito sobre Renato e que não disse nada.

Foto : Lucas Uebel / Grêmio / Divulgação / CP

Há textos que eu não gostaria de ter produzido.
Assim como há textos alheios que eu gostaria de ter produzido. 
Sinto que escrevi muito sobre Renato e que não disse nada.

Lendo artigo de Paulo Cobos, blogueiro do ESPN, fui invadido por um desejo irrefreável de ter sido o autor e aqui confesso minha inveja.
O título da crônica é altamente sugestivo: 
"Renato Gaúcho exagera no personagem e parece acreditar de verdade que é maior que o Grêmio".

Cobos inaugura o espaço com delicadeza, como quem alisa:
"Renato Gaúcho, para o bem para o mal, é um dos grandes personagens do futebol brasileiro há décadas.
Craque como jogador e muito acima da média como treinador, fez de sua marra, de seu desprezo ao futebol aprendido nas salas de aula e de suas entrevistas polêmicas o combustível para criação desse personagem."

Ato seguinte, dispara o primeiro petardo:
"Pena que muitas vezes, como agora, ele exagera no personagem e se torna um profissional caricato. Ao menos por um problema grave de saúde de algum familiar (e nada indica que havia um), Renato Gaúcho tomou uma decisão injustificável ao abandonar o Beira-Rio, após derrota no Gre-Nal, para viajar ao Rio de Janeiro sem conceder entrevista coletiva. Mais um episódio em que Renato parece realmente acreditar que ele é maior que o centenário Grêmio."

Retiro ainda duas frases bombásticas: 
"No personagem Renato, ele é o responsável por tudo que acontece de bom no tricolor, e nada de ruim é com ele".
A segunda é o arremate: "É até bizarro, mas alguém que manda no Grêmio precisa dizer a Renato, urgente, que o clube é muito maior que ele."
Minha intuição é de que o presidente Alberto Guerra marcou território neste episódio: “

O que se pode fazer, demissão?
Não acho que é esse o caso. De novo, vamos conversar com ele na reapresentação e avaliar internamente."
Transformo uma frase de Chaves em pergunta sobre este desgaste gratuito provocado pelo técnico: foi sem querer querendo?