Resumo da ópera
Fernando Carvalho assumiu a presidência do Inter em janeiro de 2002 tendo na sua diretoria Vitorio Piffero e Giovanni Luigi. O trio não apenas dividiu tarefas como revezou-se no poder numa parceria que durou quase uma década e que foi desfeita em janeiro de 2011 por questões políticas.
Sem a assessoria dos companheiros, Luigi deparou-se de cara com uma crise que fez ruir a parceria entre movimentos Inter Grande e União Colorada, responsável pelo espantoso sucesso do clube depois de 2006 e que dava sustentação política à instituição. Encarou ainda uma briga pelos direitos de transmissão do Brasileiro e o desgaste de ter enxugado a nominata de assessores, fato que desagradou a conselheiros de todos os impérios, do mais baixo ao mais alto. Como tudo o que está ruim pode piorar, viu-se embretado por uma disputa interna para definir a empresa que fará a reforma do Beira-Rio. Dor de cabeça pouca é bobagem.
Até terça-feira, o único motivo de comemoração para Luigi era a contratação de Aod Cunha para profissionalizar o clube. A alegria terminou ainda na terça quando ele teve certeza, por meio do meu blog (www.correiodopovo.com.br) de que Aod deixaria o Inter. O presidente não teve força suficiente para respaldar seu executivo-chefe. Este, achando ter as costas quentes, bateu com forças superiores que pairam sobre o Beira-Rio, viu minado seu trabalho e pediu o boné. Dizem que, em uma das suas intervenções junto ao marketing, Aod teria indicado o aumento da cota de um dos patrocinadores e, em outra, a troca do fornecedor de material esportivo por valores superiores aos pagos pelo atual.
Se os tormentos de Luigi se restringissem aos funestos acontecimentos extracampo, talvez o presidente conseguisse manter pelo menos um aparente bom humor. É no gramado, porém, que o barco só faz afundar, podendo levar com ele, domingo, todo o primeiro semestre. Como a crise é campo fértil para a maledicência, alguém me assopra que o desavisado que desembarcasse hoje em Porto Alegre juraria que Roberto Sigmann é o presidente de fato. E acrescenta: "Luigi tem que assumir. De fato".
