O Grêmio só participou de quatro decisões de Campeonato Gaúcho nos últimos 10 anos. Ganhou três. O Internacional vai para sua nona decisão, podendo faturar seu sétimo título. Só não fez a final de 2007 e, em 2009, ganhou os dois turnos.
Nos 10 anos anteriores (1993 a 2002) o Grêmio esteve em sete decisões e ganhou cinco. Deixou atrás o arqui-inimigo Inter, que ganhou três taças. Juventude e Caxias levara as outras.
Coincidência, ou não, em abril de 2001 terminava uma parceria de 14 meses do Grêmio com a ISL. Segundo fontes do Correio do Povo ligadas à multinacional suíça de marketing esportivo na época, o clube teria recebido mais de R$ 75 milhões, valores referentes ao biênio 2000/2001.
A falência da ISL não quebrou o Grêmio, mas deixou a instituição mal das pernas, com uma folha salarial altíssima e sem recursos para bancá-la. Criou-se um condomínio de credores, engenharia financeira que manteve o clube em pé fora de campo e capenga dentro. Obino, o primeiro presidente pós-falência da ISL, não teve dinheiro para pagar água e luz e, na sua gestão, o futebol ficou engessado a uma folha de pagamento inferior a R$ 500 mil/mês.
A situação melhorou, mas não muito, na gestão de Odone, que deu dois títulos, 2006 e 2007. O Grêmio voltaria a ser campeão com Duda Kroeff em 2010 e numa final contra o Inter.
Por estas coisas do futebol, Odone não verá seu Grêmio ser campeão gaúcho nestes seus dois primeiros anos de retorno ao clube, ele que pode concorrer à reeleição. O time perdeu a final para o Inter em 2011 e não garantiu vaga neste ano. Não verá justamente quando a instituição está por se ver definitivamente livre do pesadelo ISL, do condomínio de credores e quando tem dinheiro para bancar uma folha que, especula-se, esteja acima dos R$ 6 milhões.
Se a crise ISL atingiu o Grêmio até aqui, não atinge mais. Combinadas, as gestões Obino, Kroeff e Odone trataram de apagar o incêndio. Repito: por estas coisas do futebol, quando mais poderia ter montado um time capaz de estar na final (houve até verba de luvas da TV) o Grêmio fracassa. Nem diria que perdeu a chance de ser finalista no returno. O fracasso se deu no primeiro turno. Agora, a meta é a Copa do Brasil. No ano da Arena, é preciso um título.
