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A propósito do favorecimento de algumas equipes de ‘maior torcida’ dando-lhes verbas bem maiores do que às demais equipes do campeonato - como ocorre tradicionalmente na Espanha - é importante apontar que este sistema é duplamente punitivo e nefasto. Trata-se de um sistema de retro-alimentação. Explico: uma equipe que já tem uma base maior de torcedores ganha mais dinheiro da TV e, de consequência, é hiper-exposta na própria TV que já lhe paga mais pra começar a conversa. Esta hiper-exposição faz com que estas equipes possam obter maiores contratos de patrocínio, o que só aumenta o desequilíbrio econômico entre clubes ‘gigantes’ e ‘nanicos’. Porém não termina por aí. Como são as equipes grandes as ‘protagonistas’, que representam a ‘paixão’ de um país ‘de norte a sul, leste a oeste’, são estas mesmas equipes que venderam mais produtos, que lotarão estádios fora de seus estados e - obviamente - as equipes que terão mais novos torcedores. É assim que funciona este ‘círculo vicioso’ em prol da desigualdade entre as equipes que leva à famosa Espanholização: Mais torcedores ? Mais dinheiro da TV ? Mais tempo de exposição na TV ? Maiores contratos de patrocínio ? Mais vendas de merchandising ? Mais novos torcedores É fundamental quebrar este ciclo. Todos falam da enorme torcida do Flamengo no Brasil. Mas, pergunto: em que medida a TV é responsável por ‘amplificar’ o tamanho da torcida? Que peso tem a hiper-exposição do Flamengo por dezenas de anos - toda quarta e domingo - na casa dos telespectadores brasileiros? E nós, que recentemente vivemos uma ‘overdose’ de Corinthians, não estamos vendo um privilégio direto do clube ao negociar cotas nababescas de patrocínio? Acredito que a hiper-exposição deve ocorrer por méritos dentro de campo - como ocorreu nos anos 70 e recentemente com o meu Internacional, ou com o Grêmio nos anos 90. Aliás, todos vimos o salto que houve na torcida do Grêmio nos anos 90 e, agora, a volta com força da torcida do Inter - que recentemente apareceu como a maior torcida do Rio Grande do Sul em quase 20 anos. Se queremos evitar um campeonato com dois ou três postulantes e um monte de times brigando para não cair, a hora de agir é já. Autorizo a publicação.