Rodada Rei Pelé / A arte de preservar as aparências
A CBF vai promover no sábado e domingo, no Campeonato Brasileiro da Série A, uma homenagem inédita e especial ao maior jogador do mundo. A 31ª rodada será a Rodada Pelé 70 Anos, uma forma de reverenciar o Rei do Futebol pelo aniversário a ser completado no sábado 23 de outubro.
O presidente Ricardo Teixeira diz que toda e qualquer forma de homenagem a Pelé será pequena diante da importância do Rei do Futebol para a projeção que o futebol e a Seleção Brasileira conseguiram no mundo.
Que Pelé merece isto e muito mais, merece.
Mas que tem cheiro de negócio, tem.
Ainda mais com a Copa do Mundo por aí.
Da Folha de S.Paulo em 14/03/2008. Trecho.
Pelé selou em definitivo a paz com a CBF e tornou-se embaixador do comitê da Copa 2014. Mas, na prática, não terá poder executivo dentro da entidade.
O acordo, que já vinha sendo ensaiado há duas semanas, foi selado durante almoço entre o ex-jogador e o presidente da CBF, Ricardo Teixeira. Pelo trabalho, Pelé terá um salário, não revelado pelas partes.
Ao confirmar o acerto, o ex-jogador chegou a dizer que nunca teve divergência com a CBF. Em 1993, ele acusou, em entrevista, a administração de Teixeira de corrupção.
"Este desentendimento foi da imprensa. Por que nunca tivemos desentendimentos. Eu nunca tive problema pessoal com o Ricardo. Algumas vezes as pessoas confundem a idéia que eu tinha quando era ministro, com relação à Lei Pelé", disse Pelé.
Pelé confirmou que sua atuação será, primordialmente, no exterior. Pessoas próximas ao cartola afirmaram que a sua intenção é deixar Pelé longe dos contratos feitos pelo comitê 2014. Não quer nem que ele tenha acesso a dados sobre os negócios da entidade que, provavelmente, terá Teixeira como dirigente máximo.
Ao deixar Pelé longe dos contratos, Teixeira também pretende preservar o sigilo dos negócios do comitê, pois teme que o ex-jogador torne públicas informações que não deveriam ser reveladas.
O rompimento do ex-jogador com o cartola, por exemplo, se deu por conta de uma acusação dele em uma transação com a confederação. Em 1993, sua empresa Pelé Sports & Marketing não conseguiu comprar os direitos do Brasileiro.
"Existe muita corrupção, infelizmente. Já aconteceu de a CBF não aceitar uma proposta nossa melhor do que a que acabou aceitando por causa de conchavos com outros grupos. Propostas menores acabam sendo aceitas, só para não tirar outros grupos", disse o jogador à revista "Playboy", na época.
Ele foi processado por Teixeira e excluído de sorteios da Copa do Mundo de 1994 a 2002 pelo então presidente da Fifa, João Havelange, que era sogro do cartola da CBF. Houve uma reaproximação no início da atual década, com o pacto da bola, e um afastamento depois.
Houve outro motivo de forte discordância entre o ex-jogador e o cartola: a Lei Pelé, combatida com vigor pela CBF. "É passado. Não houve desentendimentos. Foram posições divergentes", disse o cartola sobre a legislação.
