Hiltor Mombach

Romildo e a crise sem precedentes

O Grêmio já enfrentou várias crises financeiras na sua história centenária.
Lembro das três últimas.
O time havia perdido a Copa do Brasil de 1991 para o até então inexpressivo Criciúma (comandado, quem diria, por Felipão) e foi rebaixado no mesmo ano para a série B.
No fundo do poço, conseguiu ressurgir em 1993 ao conquistar o Campeonato Gaúcho.
O título abriu caminho para a Copa do Brasil de 1994, a chance de ouro de a equipe voltar a ser grande.
Com quem ressurgiu em 1993? Com Fábio Koff, que sucedeu a Rafael Bandeira dos Santos, herdando um clube quebrado. Não havia dinheiro para pagar luz e água.
Koff montou uma equipe que, se não era um primor em técnica,tinha raça, eficiência e competitividade como nenhuma outra no Brasil. Koff adotou a política do bom e barato e trouxe os desconhecidos Arce e Rivarola, os defensores Adílson e Dinho e os atacantes Jardel, que estava parado no Vasco, e Paulo Nunes.
O Grêmio começou a empilhar títulos.
A segunda crise começa no final da gestão José Alberto Machado Guerreiro, com o escândalo envolvendo a parceria com a ISL.
Guerreiro deixou a presidência em 2002 e assumiu Flávio Obino.
Entre as heranças, Obino pegou uma folha mensal superior a R$ 2 milhões e alguns jogadores recebendo mais de R$ 200 dólares por mês.
Sem grana e com o clube endividado, Obino reduziu a folha para cerca de R$ 500 mil.
Obino ficou marcado como o presidente que levou o clube para a Segunda Divisão.
Escrevi, vai tempo: “Há um Obino perpetuado pelo demérito e saqueado em seu mérito.
Obino dormirá para sempre chumbado ao epíteto ‘o presidente que rebaixou o Grêmio’.
Essa verdade sepulta todo o restante de sua gestão e aqui o pecado maior: há quem transfira para outros merecimentos seus.”
A gestão Obino reveleu Cássio, Lucas, Carlos Eduardo, Léo, Felipe Mattione e Anderson. Muitos viraram produto tipo exportação.Que se dê a Obino o que é de Obino.
É meia-verdade que ele só fez rebaixar o Grêmio.
E meias-verdades são mentiras por inteiro.”
O Grêmio pós-ISL conheceu vários condomínios de credores, numa dívida que se arrastou por uma década.
Existem diferenças, e muitas, entre as crises enfrentadas por Koff e Obino.
Mas nas duas, o Grêmio era dono do seu nariz, dono do Olímpico.
Havia fluxo de caixa.
Agora, Romildo Bolzan Jr. enfrenta uma crise sem precedentes.
O treinador Felipão revelou após o empate contra o Juventude que “o que tem de confusão (dívidas) aí, se não pagar o Grêmio vai fechar em um ano”.
E a Arena ainda não é do Grêmio.
Não há fluxo de caixa, mas há uma dívida já vencida de R$ 60 milhões, que no total ultrapassa os R$ 160 milhões. Se na gestão anterior a OAS bancou um prejuízo de R$ 80 milhões (2013 e 2014), os indicativos são de que, envolvida com o escândalo Lava Jato, não pagará o déficit da Arena em 2015.
Para piorar, se é que pode, logo o Grêmio não receberá mais verba da TV, toda ela antecipada.
Com Romildo Bolzan Jr. o Grêmio conhecerá mais um condomínio de credores.
O final feliz depende da compra da Arena.