Hiltor Mombach

Síndromes

Já confessei e apenas reforço: estou desenganado. Meu caso é terminal: paranoia crônica. Sofro de várias síndromes: perseguição, pânico e isolamento. Já escrevi, e apenas repito: moramos num estado que parece despencar do Brasil. Falamos para nós mesmos. Isto só agrava minha demência.
Volta e meia minhas síndromes são atiçadas por fatos vindos do centro do país. Como esta entrevista concedida pelo árbitro Gutemberg de Paula Fonseca a Fernando Sampaio, da Jovem Pan. Gutemberg perdeu de seu escudo FIFA e decidiu detonar Sérgio Corrêa da Silva, presidente da Comissão Nacional de Arbitragem.
“Acho que voltamos aos tempos das Capitanias Hereditárias, mas na arbitragem brasileira. Não há critério (…) a não ser político, de interesse pessoal dele.” Gutemberg relatou uma pressão sofrida pelos árbitros, como a obrigação de manter contato telefônico com o presidente da comissão após a divulgação das escalas “para receber recomendações” sobre os jogos: “Ele me disse antes do jogo em que o Corinthians ganhou por 5 a 1 do Goiás: é jogo do Timão, hein? O que eu posso entender com isso? Que se o Corinthians não ganha, eu posso nunca mais ser escalado”.
O Corinthians favorecido? Só pode ser coisa da cabeça de Gutemberg. E da minha. Há anos vejo coisas, fantasmas. Tenho consciência da minha loucura e também de que não tenho cura.