Hiltor Mombach

Só acontece em Cabul

Voltei a ler os jornais de Cabul.
Lembram da Lei de Gérson, aquele que dizia “gosto de levar vantagem em tudo, certo?”
Cabul aprimorou, fez doutorado e nos transformou em aprendizes.
O jeitinho Cabul é dez oceanos mais salafrário do que o jeitinho brasileiro.
Os fatos mais cabeludos acontecem lá.
Uma notinha de rodapé dizia que um garoto de origem humilde, com todas as ferramentas de ser bom de bola, com um futuro promissor, havia realizado um teste num time local pela manhã e dispensado com a ordem de retornar à tarde para nova avaliação.
Pela tarde o garoto estava lá, acompanhando de um empresário.
O mesmo avaliador aprovou o teste com nota máxima e aconselhou o a clube a contratá-lo para as categorias de base.
O notinha, maliciosa, sugere que no intervalo entre um teste e outro o avaliador avisou seu cúmplice, um empresário, de que havia descoberto uma joia valiosa.
Documento assinado pela família dava ao empresário 30% sobre uma possível futura venda, ou seja, 30% sobre muitos e muitos milhões de euros.
Maliciosa, a notinha sugere que ele molhou a mão do pobre pai, ou pai pobre.
Obviamente foi tomado pelo espanto, fiquei chocado.
E comemorei o fato de que estas coisas não acontecem por aqui.