Hiltor Mombach

"Só nos resta lamber as feridas e parabenizar o co-irmão."

"Só nos resta lamber as feridas e parabenizar o co-irmão."

Caro Hiltor,

Leio teu blog diariamente. Quando não consigo ler no dia, acesso as postagens anteriores... Volta e meia fico pensando onde o Grêmio tem errado. Logo após o jogo do SPO e Inter, escrevi o texto abaixo. As duas razões que vejo par o Grêmio se encontrar onde está são o conformismo (nivelado por baixo) e nossa incapacidade de gerar novas figuras competentes na diretoria. Não coloco em cheque o gremismo de CAD um lá, simplesmente a forma de fazer as coisas estão ultrapassadas. O resultado está aí pra comprovar...

Se quiseres postar, acredito que vários gremistas sentem o mesmo...

Jogos como o de ontem à noite entre São Paulo e Internacional, e na noite anterior entre Vitoria e Santos podem ser chamados de eletrizantes. Só vi flashes do jogo de ontem, pois minha atenção estava direcionada ao debate político, por que para um Gremista doído com o processo de apequenamento que o clube parece ter entrado desde o finalzinho da década passada, o melhor é focar na política. O pior é que minhas escolhas dão sinais de ficar como o Tricolor, no meio do caminho nesta eleição.

Para aqueles que não vivem o futebol, não se ligam nos jogos, nos clubes etc, esta partida serve de exemplo da paixão que toma conta quando alguém se abre pro futebol: vejam o que está acontecendo nos EUA onde a Copa passou os índices de audiência da NBA, impensável alguns anos atrás. Este é o jogo em que milhares de pessoas, no estádio e na frente da TV ou rádio – ou internet que agora os tempos são outros, ficam dilaceradas em tensão e nervosismo equilibrando-se entre o limbo e a salvação, o céu e o inferno ou o pelo menos o purgatório em casos raros. Tesas com o conhecimento que qualquer segundo, lance, resvalão de um chute num zagueiro azarado, oportunismo de atacante “sortudo”, erro de um árbitro humano ou um lance puramente casual, é o suficiente para definir entre a redenção ou o abismo definitivo.

Tudo se decide nesses jogos: a vida, a sorte, a flauta (contra e a favor), a felicidade extrema (caso dos colorados hoje) ou a tristeza infinita, o impulso para dar a volta por cima ainda mais forte após cair e lamber as feridas (minha grande esperança com o Grêmio, só que já estamos de língua doída de tanto lamber as nossas feridas). Tudo se decide nestes jogos!!! Para as torcidas dos clubes envolvidos e aí incluo os que jogam efetivamente a partida e os que secam de lado a lado. É mais importante que uma Copa do Mundo, é mais importante que a final da F1 (que já nem tem tanta graça...).

O que mais me incomoda é ter que ficar de fora de momentos assim – Constantemente!!! Nestes últimos 10 anos, depois da copa do Brasil de 2001, a ultima vez que sentimos, nós Gremistas, algo um pouco similar foi na final da LA contra o Boca, e que foi um fiasco. Conseguimos jogar fora uma geração de torcedores. As crianças torcem no embalo de quem está ganhando, levantando taças, e nisto, os co-irmãos estão levando larga vantagem. Em seguida a torcida deles será maior. Onde é que estamos errando? Quando e como que o Grêmio foi destroçado e reduzido a isto que temos hoje? Pelo conformismo e falta de dirigentes competentes.

- Conformismo: se enalteceu tanto, tanto e tanto a Imortalidade Tricolor, que tantos já vêem como normal e aceitável estarmos em queda acreditando quase que cegamente numa redenção em nome de tal imortalidade logo ali adiante. Eu vi o Olímpico em peso aplaudir o Grêmio na derrota para o Corinthians na final da copa do Brasil e cantar o nosso hino. Pela valentia e entrega dos jogadores à época e por que vimos o potencial de uma equipe que estava em formação. Dali (re) ganhamos a América. Hoje um empate com um Goiás que não ganha de ninguém é enaltecido. Com jogadores de salários milionários e “desmotivados”. Banalizou, apequenamos... A fase tem sido tão ruim e prolongada que nosso nível de exigência baixou assustadoramente. Já não temos mais referência do tamanho que somos e o que podemos ser. A saída, para nossa humilhação, é mirar ao lado e ver o tamanho que o inter tem alcançado. E tentar voltar a ser tão grande quanto ou maior;

- Paramos de produzir dirigentes competentes. Está entranhado no Grêmio um conselho deliberativo rançoso e retrógado. É uma grande confraria familiar (pai para filho) rachada por vaidades e interesses particulares e sem grandes figuras capazes de aglutinar todos em prol do bem maior que é o Grêmio. E não abrem para renovação, senão de pessoas, pelo menos de idéias. Não temos inovação. Não temos renovação. A melhor definição de loucura que já vi diz que “não se pode fazer tudo sempre da mesma maneira e querer alcançar resultados diferentes”. Pois bem, assim estamos nós, recheado de dirigentes que estão lá desde sempre, envelhecidos (em suas idéias), em descompasso com gestão esportiva eficiente e incompetentes. A retomada do inter de seu rumo na história tem na base um planejamento estratégico bem elaborado e por uma renovação no seu quadro diretivo (que saudade dos tempos da era otomana no colorado). Aprenderam conosco, e o pior: não bastou ensinar entregamos os originais da cartilha.

Só nos resta lamber as feridas e parabenizar o co-irmão.

Marcos Vinicius M. Vargas