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Por Antonio Carlos de Azambuja
Conselheiro Jubilado do Grêmio
Se há algo que não se exige de treinador de futebol no Brasil (e no mundo) é que sejam piedosos.
Felipão é.
Em pleno século XXI, estamos diante de um Católico, Apostólico, Romano se mostrando por inteiro ao mundo moderno, às gerações internet.
Um ET. Elereza!
E perguntado, justifica na Globo, em meio à imprensa internacional, que o faz porque há algo superior, - COMO É QUE TU NÃO SABE DISSO RAPAZ?
Em meio ao rastro de sucessos que compõe a sua vida, desde a capina na serra gaúcha, até o enorme prestigio nacional e o renome ultramarino, avulta a sua evidenciada cristandade, infantil, fora de moda. Patética.
Tão surpreendente quanto curiosa: como pode, ainda, num tempo de tanta frouxidão de costumes - coquetéis de sexualidade, sadismos, pedofilias, traficâncias e heresias de todos os tipos, subversão da ordem, da disciplina, decomposição da família, aviltamento dos mestres, desobediência civil, drogas e contrabando, – sobreviver um pio, um italianinho da colônia com cara de motorista de caminhão que ainda acredita em promessas e ainda tem fé nas suas preces, as quais não tem pejo de divulgar irrestritamente, mercê dos largos caminhos midiáticos que seu sucesso na vida permitiu-lhe dispor.
Scolari, com sua conduta – claramente sincera porque indisfarçável, - faz mais, hoje, pela Igreja no Brasil, que todo o proselitismo utilizado pelos párocos nas missas dominicais de nossa terra e muito mais, por certo, do que essas duvidosas comunidades eclesiais de base, que se dedicam mais à missão de separar patriotas por suas inclinações politicas do que unir cristãos pela sua fé.
Estamos diante da apologia da simplicidade, da rusticidade de nossa gente, tão simples e modesta, que habita, escondida e em família, os rincões de nossa pátria e que ainda mantém a honestidade de suas crenças, de seus hábitos e costumes, confessando e comungando.
Quase agnóstico, pelo longo tempo já vivido e o acúmulo de decepções com a humanidade, tenho de me curvar à atitude desse homem, aos pés da virgem de Caravaggio, somando às suas súplicas de proteção, a minha de premiar-lhe pela coragem de exibir, num mundo virtual, seus velhos e perenes credos reais, urbi et orbi.