SEGREDO
Vai tempo comprei o livro de Lohar Machtan “O Segredo de Hitler”. A palavra segredo me seduz. Ela mesmo carrega um segredo. Tratava da homossexualidade do assassino. Um calhamaço tentando provar aquilo que todos suspeitavam. Não havia, nas mais de 300 páginas, um segredo sequer.
Assis e Ronaldinho traíram não apenas o Grêmio: algumas manchetes carregam um clima de escarrado velório, com textos que são uma afronta à inteligência. Eles traíram um negócio.
O patético do acontecimento mais midiático de 2011, da traição transformada em reality show, é este convulsionado espernear de quem se diz traído no negócio. E o traído no negócio acusa o golpe afirmando ter sido vítima de um segredo.
Não havia segredo, e repito: a traição aconteceu em tempo real. Desnudado em seus interesses, o traído extravasa seu ódio na ponta da pena contra o pretenso traidor, como se ambos não fossem cúmplices de uma mesma armação.
Vamos ao óbvio, que o óbvio existe para ser registrado: repórter, reporta; jornalista registra a evolução dos fatos. Quem sentou sobre os últimos acontecimentos como se pudesse sufocá-los e, ao ser flagrado de cuecas desinformado até o último fio de cabelo, quem foi atropelado pelo caso mais midiático de 2011, bem, este não foi vítima de um segredo, mas de seus próprios “interésses”.
